Agricultura 4.0, questão de competitividade

Categoria Geral - 28 de maio de 2019

*Bernardo de Castro

Uma das coisas que aprendi em 15 anos de atuação no desenvolvimento de soluções digitais para o campo é que pequenos ganhos de produtividade podem fazer grande diferença na competitividade do agronegócio brasileiro. Na rotina das maiores empresas agrícolas do País, os números são sempre superlativos. Por isso, qualquer redução de custo terá grande impacto na lucratividade do negócio.

Pense, por exemplo, no que significa uma economia de 1% no consumo de combustível para uma empresa que gasta milhares litros de diesel por dia? Imagine uma redução de 2% de uma frota de centenas de veículos por meio da eficiência na gestão? Ou ainda, considere o impacto da redução de 3% em perdas de matéria-prima para quem colhe milhões de toneladas por ano. Somados, esses resultados representam muito.

Os percentuais são apenas exemplos, aliás muito aquém do que a agricultura 4.0 tem entregado em resultados ao agronegócio. GPS, sensores e pilotos automáticos, aliados às informações estruturadas sobre as operações, têm aumentado significativamente os rendimentos das fazendas e empresas agrícolas. São tecnologias que transformam cada máquina, operador e gestor em um player ativo do processo como um todo, que passa a ser interligado e otimizado para aumentar a eficiência da gestão.

Temos ainda muitos desafios pela frente na implementação da agricultura 4.0, como a qualificação de mão-de-obra e a falta de conectividade das fronteiras agrícolas. Porém, muito progresso tem sido feito nestes quesitos com a disponibilização de alternativas cada vez mais viáveis para resolver ou minimizar tais impactos.

O Brasil já é uma potência agrícola e tem vários modelos de fazendas inteligentes, tão modernas e competitivas quanto seus pares no exterior. A tendência é de que essa realidade se intensifique naqueles que são referência e se dissemine para toda a produção. Há um mercado aquecido por softwares de gestão de fazenda. Nesse cenário, só há uma certeza: a tecnologia é o único caminho para elevar ainda mais a autoridade do agronegócio brasileiro no mundo.

(*) Bernardo de Castro, presidente da divisão de Agricultura da Hexagon.


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