Como perceber que a pastagem não está bem?

Categoria Geral - 22 de Fevereiro de 2017

Quando ficamos doentes, ao enfrentarmos um problema, ou qualquer outro inconveniente, nos deparamos com os indícios. Indícios são evidências que nos conduzem a tomarmos algumas decisões. Pois bem, quando estamos gripados, começamos a espirrar ou ficamos abatidos, na sequência, podemos chegar em um estado na qual a decisão mais certa é ir ao médico e na farmácia comprar remédios.
A pastagem, como não é diferente, é um sistema que nos permite produzir animais que a um baixo custo e, como se não bastasse, com alta eficiência. Na pastagem, como qualquer sistema, há alguns pontos importantes para serem observados que nos fazem ou não tomar algumas decisões. Essas, culminarão em atitudes positivas para otimizar ou recuperar o sistema. 

O primeiro e primordial indício que mostra se a pastagem vai ou não vai bem é a produtividade. Quando a área não suporta os mesmos animais que suportava antes, com certeza este fator é facilmente notado. Erroneamente, quando uma pastagem anda mal, ou seja, ela esta entrando em um processo de degradação, automaticamente pensamos que ela ficará menos nutritiva e que com certeza devemos suplementar os animais em função da falta de proteína.

Um ponto muito importante a ser abordado é que quando uma forrageira está em deficiência, ela sim, diminui a sua qualidade, mas com certeza, esta diminuição não é tão sensível a ponto de pensarmos que devemos suplementar ou não proteína. Neste caso, o fator mais agravante é a diminuição da produção. Me perguntam sempre, e no inverno? Por que um capim diminui seu valor proteico? Neste caso a forrageira diminui o seu valor nutritivo e sua produção, pois ela permanece em um estado de sobrevivência. Neste caso, ela procura se manter viva, para passar o período desfavorável de crescimento e continuar a sua vida no verão (considerando forrageira tropicais, por exemplo). Neste caso, as diminuições nos teores de proteína, por exemplo, se dão ainda, pela alteração na proporção de folhas e caules e por consequência, alteração no seu teor proteico.

Outro fator importante a ser considerado em uma pastagem é o indício das falhas na pastagem. Estas são oriundas de plantas que morreram em função de condições adversas. Explicando de forma bem simples, uma forrageira que emite folhas para fazer fotossíntese – e consequentemente produzir “alimento” (compostos fotossintéticos) para si própria – faz uso de alimentos pré-reservados na raiz. Quando ela é pastejada, utiliza estes alimentos das raízes e ao emitir folhas novas, faz fotossíntese e repõe esse conteúdo utilizado na raiz. Isto acontece naturalmente no pastejo com manejo correto (rotacionado). Quando isto não é respeitado, a planta não repõe seus nutrientes, esses são utilizados e consequentemente, a planta morrerá. Ao morrer, ela some do pasto originando falhas. Se não há capim, não há produtividade. 

A presença de falhas acarreta em uma porta de entrada para plantas invasoras que infestam a pastagem e competem com o capim. Inicia-se o processo de degradação, este aqui mencionado em função de uma forrageira que morreu e deixou uma porta de entrada. Porém, em muitos casos, a degradação ocorre pela falta de nutrientes. A invasora é menos exigente e consegue viver naquela área na situação na qual se encontra a pastagem. 

Sendo assim, voltamos a enfocar na falta de produtividade, que indica que o capim não está bem. Muitos falam que cupins, plantas invasoras e outras plantas são bem-vindas na pastagem para compor o ecossistema. Senhores, lugar de pastagem é lugar de pastagem. Vale destacar que não menciono e considero as árvores como invasoras, pelo contrário, elas devem compor a área de pastagem promovendo sombra para os animais. Além disso, por terem raízes profundas, retiram os nutrientes mais profundos, atuando como grandes recicladoras de nutrientes. Voltando ao aspecto de indicador, não é admissível a presença de cupins e outras invasoras na pastagem. A presença deles nos indica que o pastejo não está bem, ou seja, foi permitido que algo entrasse na área em função do não atendimento de algum requisito do capim.

As principais causas da degradação da pastagem têm sido relacionadas desde a escolha da espécie ou cultivar de forrageira, seguido do estabelecimento deficiente, preparo inadequado do solo, ausência de calagem e adubação, baixa qualidade da semente até o mau manejo da espécie forrageira, principalmente o super pastejo (mais animais do que a área suporta). Tais fatos se devem às falhas na exploração pecuária como um todo, incluindo problemas relativos à conservação dos solos, planejamento do equilíbrio da oferta e demanda de alimentos ao longo do ano, além da não reposição de nutrientes.

Em resumo, toda e qualquer pastagem deve ser observada. Se nós queremos produtividade devemos proporcionar condições para tal fato. Como sempre defendo a bandeira, com mais ou menos adubo não iremos formar um super capim ou ainda um capim deficiente. A grosso modo, estaremos prejudicando mais sensivelmente a produtividade do capim. Este é o melhor indício de que as coisas estão ruins. Portanto, tudo culminará na degradação da pastagem, implicando na sua recuperação, a qual demandará custos. 

Se quisermos produzir temos que atender a demanda. Indícios de que tudo vai bem sempre estarão defrontes nossos olhos. O que precisamos é querer ver. Para concluir, se o problema for uma gripe passageira podemos até pensar em tomar remédio, mas se não tivermos certeza do que fazer procure sempre um médico. No caso da pastagem, um profissional que atenda a demanda. Não fique gastando arremessos, acerte logo no alvo.
Marco Aurélio Factori    Presidente Prudente – São Paulo
Professor na UNOESTE – Presidente Prudente Zootecnista, Dr. em Zootecnia pela FMVZ/UNESP – Botucatu SP. Manejo de Pastagens, Conservação de Forragens e Nutrição Animal com foco em nutrição de Ruminantes.

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