Inoculação: Todos os tipos e + 7 dicas para tirar o máximo proveito dela

Categoria Geral - 8 de setembro de 2019

Por Rayssa *

O que é inoculação de microrganismos e o que é um inoculante?

A inoculação de microrganismos nada mais é que adicionar microrganismos benéficos às plantas.

Esses microrganismos trazem algumas vantagens às culturas como: aumento do crescimento, melhor desenvolvimento e melhora na absorção de nutrientes.

Eles são comercializados como inoculantes, sendo formulados com base biológica, ou seja, é um insumo biológico.

Os inoculantes são produzidos de acordo com protocolos estabelecidos pela Relare (Rede de Laboratórios para Recomendação, Padronização e Difusão de Tecnologia de Inoculantes Microbiológicos de Interesse Agrícola).

No setor agrícola, o principal tipo de inoculação utilizada é à base de Bradyrhizobium, pois promove a Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN).

Esse mercado vem ganhando destaque e a utilização de microrganismos em diversas culturas de interesse agrícola vem crescendo consideravelmente.

A seguir, vamos falar sobre os principais tipos e todas as dicas para ter sucesso na sua inoculação.

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(Fonte: ANPII)

Principais tipos de inoculação

Inoculação bacteriana

A utilização de inoculação de bactérias é a mais comum na agricultura.

Ela estimula o crescimento das plantas pela combinação de diversos mecanismos de atuação. Isso se reflete em melhor desenvolvimento das plantas e, consequentemente, maior rentabilidade ao produtor.

Vamos mostrar aqui algumas opções de bactérias mais utilizadas nesse processo.

Bradyrhizobium japonicum e Bradyrhizobium elkanii: 

Infecta as raízes da soja, formando os nódulos e, no seu interior, ocorre o processo de Fixação Biológica do Nitrogênio (FBN). Uma opção para uso é em soja, feijão-caupi.

Azospirillum brasilense: 

Essa bactéria tem a capacidade de realizar a Fixação Biológica do Nitrogênio quando associada a gramíneas (baixa quantidade).

Bactérias do mesmo gênero também são conhecidas por produzirem fitormônios que estimulam o crescimento das raízes de diversas espécies de plantas. Uma opção para uso é trigo, milho e cana-de-açúcar.

Inoculação na cultura da soja

Se você é produtor de soja, ou pretende entrar no ramo, fique atento! O uso de inoculante é obrigatório em áreas que não são cultivadas há anos ou que nunca produziram soja.

A inoculação anualmente pode resultar em aumento da rentabilidade superiores a 8%.

A coinoculação (formulação das bactérias Bradyrhizobium+Azospirillum) pode ser uma ótima alternativa, pois além dos benefícios já citados, pode-se incrementar sua produtividade em até 6 sacas/ha.

Seu uso reduz a necessidade de fertilizantes químicos, particularmente os fertilizantes nitrogenados, promovendo economia de recursos com insumos.

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Preparação de amostra para inoculação em laboratório / (Fonte: Embrapa)

Inoculação de fungos

A utilização de alguns fungos na inoculação vêm trazendo inúmeros benefícios para os produtores rurais.

Sua utilização pode proporcionar aumento da eficiência de aquisição de nutrientes e água; maior desenvolvimento (tanto radicular, quanto relação raiz-parte aérea); aumento da produção; e maior tolerância a estresses abióticos.

Dentre as opções disponíveis estão:

Rhizoglomus 

São os mais utilizados por estar disponível comercialmente. Auxilia no crescimento e desenvolvimento da cultura, inclusive no pegamento” de mudas. É bastante utilizado na olericultura.

Vem mais novidades por ai, fiquem ligados!

A Embrapa juntamente com a iniciativa privada acaba de desenvolver um novo produto “BiomaPhos”, com a capacidade de aumentar a absorção de fósforo pelas plantas!

Como inocular: 7 Dicas para o sucesso de sua inoculação 

Alguns cuidados básicos devem ser tomados para uma boa prática da inoculação e o sucesso de sua lavoura.

1ª Dica: Produto

Observe se o produto escolhido realmente tem registro no Ministério da Agricultura. Fique atento à data de vencimento indicada no rótulo.

2ª Dica: Transporte e armazenamento

Pergunte ao fornecedor quais foram as condições de transporte e armazenamento do produto antes de chegar até você!

Como são seres vivos, não devem ficar expostos ao sol ou a temperaturas muito altas (superiores a 30°C).

3ª Dica: Momento da inoculação

Cuidado com as condições climáticas no dia da inoculação.

Realize sempre em sombra. E mantenha sua semente pós-inoculação longe do sol e do calor.

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Propriedades que utilizaram sementes com coinoculação observaram aumento de produtividade da soja / (Fonte: Dourados Agora)

4ª Dica: Doses de aplicação

Para realizar o cálculo da dose, siga as instruções fornecidas pelo fabricante. Mas lembre-se: aplique no mínimo 1,2 milhões de células por semente.

A dose pode variar de acordo com o produto:  líquido ou turfoso.

Líquido: A dose não deve ser menor que 100 ml de inoculante a cada 50 kg de sementes;

Turfoso: Nesse tipo de inoculante, o umedecimento das sementes faz a diferença. Utilize aproximadamente 300 ml/50 kg sementes de solução açucarada a 10%  (que nada mais é que: 100g de açúcar para cada litro de água). Em seguida, pode aplicar o inoculante!

5ª Dica: Combinação de inoculantes com outros produtos

Se você deseja aplicar algum produto químico junto com a inoculação no tratamento de sementes, não realize no mesmo momento!

O segredo é aplicar seu produto químico, esperar secar e somente depois aplicar seu inoculante. Lembre-se: são microrganismos!

Outra opção é a inoculação no sulco. Contudo, quando optar por esse manejo, indico a utilização de 2,5 vezes a dose do inoculante recomendada para aplicação via semente, diluída em ao menos 50 L/água/ha. Além disso, o mercado disponibiliza alguns kits que podem auxiliar.

6ª Dica: Inoculação na caixa semeadora

Evite a utilização de inoculante direto na caixa semeadora.

De acordo com estudos de pesquisadores da Embrapa, esse manejo isso dificulta a aderência das bactérias à semente e interfere na eficiência do processo.

7ª Dica: Semeadura x Inoculação

Após a inoculação, quanto tempo posso esperar para realizar a semeadura?

Bom, inúmeros estudos indicam que o maior sucesso da lavoura se dá quando a semeadura é realizada no mesmo dia da inoculação, especialmente se a semente for tratada.

Caso isso não seja possível, o indicado é realizar a semeadura em no máximo 24 horas após a inoculação.

Além disso, fique atento à temperatura no momento da semeadura!

Altas temperaturas no depósito de sementes podem ser prejudiciais, do mesmo modo que semear “no pó”. Microrganismos são sensíveis ao dessecamento.

Inoculação: Quanto custa?

O valor do inoculante pode variar de acordo com a sua região, mas em média seu custo é relativamente baixo.

Atualmente, o custo da dose do inoculante à base de Bradyrhizobium pode variar de R$ 3/ha a R$ 5/ha no mercado.

Já o inoculante a base de Bradyrhizobium+Azospirillum pode variar R$ 12/ha a R$ 15/ha.

No momento da escolha, observe todas as especificações do produto!

Realize os cálculos de custo e verifique se é viável para sua propriedade. Tenha sempre os custos de sua fazenda na palma da mão!

Conclusão

Neste artigo vimos a importância da inoculação e como ela pode aumentar a produtividade de sua lavoura de grãos.

Você conferiu quais os tipos mais utilizados e quais o custos relacionados a essa prática. Também demos as dicas para que você faça uma inoculação correta!

Espero que com essas dicas você alcance ainda mais sucesso em sua empresa rural!

*Rayssa é Engenheira Agrônoma pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), mestre em Fitotecnia pela ESALQ/USP. Atualmente, sou doutoranda em Agronomia pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), com ênfase em produção vegetal e realizo MBA em Marketing (Pegece/ ESALQ/USP).

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