Milheto: Como cultivar e suas vantagens para a agropecuária

Categoria Geral - 7 de setembro de 2019

Por Evelise Martins Da Silva*

Milheto: Para que serve?

O milheto Pennisetum glaucum tem origem do deserto do Saara, na África, e foi levado para a Índia em torno de 2.000 a.C.

Ainda é nessa região da África ocidental em que ocorre o cultivo de 50% do total mundial de milheto, sendo muito utilizado para alimentação humana.

O milheto é uma planta da família das gramíneas, que pode ser utilizado com finalidade de:

  • Produção de grãos para alimentação humana;
  • Produção de forrageamento para os animais;
  • Produção de palhada em sistemas integrados e plantio direto.

Comparado ao milho e sorgo, o milheto requer mais calor para germinar, se estabelecendo de maneira uniforme e proveitosa.

No sistema de plantio direto, contribui devido a seu desenvolvimento em condições de baixo nível de fertilidade, tendo ainda alta resistência à seca.

Além disto, os nutrientes extraídos pela planta permanecem na palhada, favorecendo a cultura subsequente.

E ela tem, em especial, a característica de ter uma raiz profunda, o que promove uma elevada capacidade de extração de nutrientes.

Seu cultivo demanda pouca aplicação de insumos, o que reduz o custo de produção.

milheto

(Fonte: Tecnoshow Comigo)

Épocas de plantio do milheto com diferentes finalidades 

O milheto como cobertura de solo para o sistema plantio direto, se recomenda a semeadura na safrinha, após a colheita do milho ou da soja, no período que vai do final de janeiro até meados de abril.

Quanto mais precoce o plantio na safrinha , maior  é a produção de massa verde e grãos.

Não se esqueça também que as sementes exigem boas condições de umidade e temperatura de solo, variando entre 18℃ e 24℃, necessárias para uma boa germinação.

Em setembro é a época de dissecá-lo do sistema, antes da semeadura do milho ou da soja em novembro.

Se a finalidade for para a produção animal, o ideal é que o plantio ocorra na primavera, até outubro. Isso porque é neste momento em que ocorrem as primeiras chuvas e o ambiente está ideal, com temperatura de 20℃, além de haver umidade suficiente para a emergência. O pastejo pode ser iniciado de 80 a 150 dias depois. 

Caso o plantio seja realizado em outra época, como início do verão, o período do pastejo varia de 50-100 dias. Caso ocorra no início de outubro, isso varia de 40 a 60 dias.

A semeadura pode ocorrer em linha ou a lanço. 

Na semeadura a lanço da planta, usada neste caso como forrageira para pastejo, são recomendados de 18 kg a 20 kg de semente/ha, com espaçamento de 20 cm a 30 cm entre linhas.

Na semeadura a lanço para a produção de grãos de milheto, sementes ou silagem, o recomendado é de 12 kg a 15 kg/ha, com espaçamento entre linhas de 40 cm a 60 cm.

Caso a semeadura seja a lanço, recomenda-se 20% a mais de sementes/ha

Cultivar de milheto 

A cultivar BRS 1503, da Embrapa, é boa opção para produção de grãos, forragem e  palhada de alta qualidade.

Ela tem crescimento rápido e alta capacidade de rebrota, além de tolerância ao acamamento

Milheto como silagem para a alimentação animal

Na América, especialmente no Brasil, o milheto começou a ser usado como forrageamento, tanto para pecuária de corte como de leite.

É uma cultura altamente produtiva, com potencial de produção de até 50 toneladas por hectare de massa verde e aproximadamente 15 toneladas de hectare de matéria seca, quando cultivado nos meses de setembro e outubro.

O milheto tem sido cada vez mais requerido para formulação de rações de aves e suínos. Nestes casos, além de ampliar as fontes de componentes para a ração, tem como característica não apresentar efeitos antinutricionais como taninos e cianogênicos.

Seu teor de energia metabolizável é similar ao dos demais grãos energéticos utilizados na alimentação animal. Sua fonte de proteína bruta é maior que a do milho e semelhante a do sorgoVeja na tabela abaixo:

milheto

(Fonte: Embrapa)

Estudos indicam que, em condições de pastejo em animais de recria, proporciona ganhos de até 600 gramas de peso vivo/dia. Isso equivale a 20 arrobas por hectare em cinco meses.

Assim, para a produção de silagem, o milheto pode substituir o milho ou o sorgo, com vantagens em produtividade e qualidade, quando cultivado em safrinha ou tardiamente.

milheto para pastejo

Milheto forrageiro tem alto teor de proteína e nutrientes / (Fonte: Milkpoint)

Outras características do milheto

O milheto possui um sistema radicular vigoroso, que pode chegar a até 3 metros de profundidade.

Isso contribui muito na ciclagem de nutrientes e acúmulo na camada superior do solo de substâncias como cálcio, potássio e nitrogênio.

Por isso, estudos estão sendo feitos sobre o seu uso no controle de nematoides.

Além disto, a rebrota após o corte ou pastejo é bem vigorosa.

O milheto é excelente para produção de palhada, chegando a produzir, dentro de 30-40 dias, 50 toneladas de massa verde.

Uma de suas vantagens é a baixa exigência hídrica: 300 gramas de água para cada grama de matéria seca. Para se ter ideia, o milho necessita de 370 gramas e o sorgo de 321 gramas de água.

A produção de matéria verde do milheto sem adubação pode variar de 20t a 70t/ha.

Já em relação à produção de milheto para alimentação humana, uma curiosidade: a farinha feita a partir dos grãos do milheto é base alimentar na Índia e África – é usada de forma bem semelhante à farinha de trigo no ocidente. Devido a seu alto valor nutritivo, é considerado um alimento funcional.

Também tem sido utilizado na produção de biomassa para biocombustíveis, através de bioenzimas especiais.

milheto

(Fonte: Instituto Federal Goiano)

Conclusão 

O milheto é uma cultura de multifuncionalidades, desde a produção de grãos ao sistema de plantio direto.

Neste artigo, discutimos as melhores épocas para plantio conforme sua finalidade e também como fazer a semeadura.

Abordamos ainda as características dessa cultura em comparação ao milho e ao sorgo.

A utilização do milheto pode ser uma grande vantagem, principalmente no avanço do plantio direto. Mas, lembre-se que o fator determinante será o planejamento.

*Evelise Martins Da Silva É Engenheira Agrônoma formada pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), cursando pós-graduação em Biotecnologia e Bioprocessos pelas Universidade Estadual de Maringá (UEM) e apaixonada pelos desafios de uma agricultura sustentável.


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