A nova realidade para a oferta e a demanda do milho brasileiro

Categoria Geral - 18 de Abril de 2016

O cultivo de milho no Brasil vem desde os primórdios da colonização portuguesa. No princípio o produto era utilizado basicamente para a subsistência, mas com o decorrer do tempo foi ganhando importância e transformou-se no principal insumo para a produção de aves e suínos. Com o crescimento da produção agrícola brasileira, a partir de 1960 até o ano 2000, as regiões Sul, Sudeste e o estado de Goiás respondiam por aproximadamente 70% da oferta nacional do grão. Entretanto, a partir de 2001, a dinâmica da produção do cereal começou a tomar novos rumos, sendo que, na safra atual (2015/2016) o montante da produção destes estados representou menos de 45% da colheita no país.
Os fatores responsáveis por esta mudança na cadeia produtiva do milho são diversos: expansão da agricultura para o cerrado; busca por novas tecnologias pelos produtores; desenvolvimento de sementes mais adaptadas às condições edafoclimáticas de cada região; aquisição de equipamentos de melhor rendimento e desempenho; criação de técnicas redutoras de perdas físicas e de qualidade, sem desprezar a preocupação ambiental e a adoção de políticas públicas voltadas para fortalecer o setor.
A expansão da soja para o cerrado levou junto a cultura do milho, que, inicialmente, era utilizado somente como prática de rotação de cultura para incrementar palhada ao solo fraco do bioma e também para quebrar o ciclo de pragas e doenças. De acordo com relato de diversos produtores, as áreas que passavam pelo cultivo de milho nos três anos seguintes apresentavam ganho de produtividade de três a cinco sacas de soja, comparativamente às áreas que não realizavam esta prática.
Desta forma, os produtores adotavam o plantio de milho em aproximadamente 20% das áreas, em cada ano, com o objetivo de melhorar a estruturação do solo e aumentar o rendimento das lavouras de soja. Assim, esta técnica começou a ganhar importância em Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul.
Entretanto, a partir de 2001, o plantio do milho segunda safra passou a ganhar destaque no cerrado (Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás), assim como no Paraná e em São Paulo. Como mostra o gráfico 01, a participação do milho segunda safra passou de 24% da área plantada no período 2001/2002 para os surpreendentes 63% nesta safra atual, tornando-se a principal safra do cereal.
O crescimento da participação do milho segunda safra ocorreu devido ao desenvolvimento da variedade de soja mais precoce, que possibilitou a liberação de área para o plantio do milho no Cerrado a partir da segunda quinzena de janeiro até início de março, período considerado ideal para o cultivo do grão. Como nestes estados as chuvas ocorriam até meados de abril, as áreas plantadas até a primeira quinzena de fevereiro tinham rendimento acima de 100 sacas de 60 quilos por hectare.
As lavouras semeadas na segunda quinzena de fevereiro, no entanto, tinham potencial produtivo reduzido para aproximadamente 80 sacas por hectare e as áreas implantadas a partir deste período reduziam seu potencial drasticamente. Desta forma, as áreas cultivadas a partir da segunda quinzena de fevereiro eram realizadas com sementes de baixa tecnologia e com menor investimento em adubação e tratamentos fi tossanitários.
Neste período, os produtores relataram que a opção pelo plantio do milho segunda safra era de alto risco e que o objetivo não era obter lucro com a atividade. Desta forma, o plantio do cereal era realizado em aproximadamente 20% da área com o objetivo de obter renda para suprir os custos operacionais, cumprir com a folha de pagamento dos funcionários, reduzir a ociosidade dos funcionários na entressafra e fornecer boa palhada de cobertura para a próxima safra de soja.
A partir da safra 2011/2012, contudo, os rumos do milho safrinha começaram a seguir outra direção, devido ao fato de as chuvas do Centro-Oeste terem se prolongado até meados de junho e julho. Em 2012, as lavouras que normalmente obtinham rendimento de 100 a 120 sacas, obtiveram produtividades de 160 a 180 sacas com o mesmo investimento em insumos e tecnologia.
Com este incremento no regime hídrico, a produtividade média de Mato Grosso passou de 66 para 95 sacos por hectare (ha) e no Mato Grosso do Sul, o rendimento passou de 55 para 85 sacas por hectare. Logo, a média brasileira do milho segunda safra chegou
aos 86 sacos/ha, ante 61sacos/ha na safra anterior. Desta forma, a produção do milho segunda safra passou de 22,5 milhões para 39,1 milhões de toneladas (+43%), contribuindo também para o aumento de área de 1,46 milhão de hectares.
Nas safras seguintes, as chuvas continuaram se estendendo até meados de junho e julho, contribuindo assim para a manutenção das produtividades nestes novos patamares. Com este novo cenário, os produtores começaram a investir em tecnologia nas áreas plantadas até a primeira quinzena de março, buscando aumentar a produção e melhorando a rentabilidade da cadeia produtiva.
Sob esta ótica, a participação do milho segunda safra, no cultivo das propriedades do Centro-Oeste e das regiões Norte e Oeste do Paraná, subiu de 20% para aproximadamente 40%, a partir do momento em que os produtores visualizaram a possibilidade de aumentar a rentabilidade com esta cultura. Desta forma, o planejamento para a implantação das lavouras em cada ano safra já está contabilizando a participação do milho após a colheita da soja. Com este novo panorama da cultura, mesmo com a queda constante da área da produção do milho verão, o aumento das áreas de milho segunda safra determinou incremento de 19% na área plantada, a partir de 2000, resultando em um aumento de 97% na produção nacional do cereal.
Este grande salto em produtividade e produção, contudo, começou a provocar problemas aos produtores, pois não havia local apropriado para o armazenamento deste montante.
Sendo assim, começou a aparecer pilhas e pilhas de milho armazenadas a céu aberto, ocasionando perda de qualidade e quantidade. Diante deste quadro, os preços do cereal após a colheita do milho segunda safra permaneciam por alguns meses abaixo dos preços mínimos determinados pelo governo federal.
Como consequência, de 2010 a 2014, foi necessária a intervenção estatal por meio de programas como os de Aquisição do Governo Federal (AGF), contratos de Opção de Venda e leilões de Prêmio para Escoamento de Produto (PEP) e Valor de Escoamento do Produto (VEP), dentro do objetivo de garantir os preços mínimos aos produtores do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás.
Com esta nova realidade e diante da opção de melhorar a rentabilidade do plantio do milho segunda safra, os produtores começaram a buscar formas para armazenar a produção, esperando assim o melhor momento para efetuar a venda do cereal, visando aumentar os lucros. Neste contexto, o governo federal lançou em 2013 o Programa de Construção de Armazéns (PCA), para a ampliação e construção de novos armazéns com prazo de até 15 anos para pagamento, três anos de carência e taxas de juros controladas.
Assim, muitos produtores aderiram ao programa com o objetivo de ampliar a capacidade de armazenamento na propriedade (Foto 04). Outra opção que ganhou destaque e cresceu com este cenário foi a utilização dos silos bolsa (Foto 03), uma alternativa de baixo custo que possibilita o armazenamento dos grãos por até três anos sem comprometer a qualidade do cereal.
Em razão do aumento de produção dos 57,4 milhões para 84,7 milhões de toneladas na safra de 2014/2015, o Brasil assumiu a posição de segundo maior exportador mundial de milho, atrás apenas dos Estados Unidos (EUA). Devido ao fato de o milho segunda safra ser colhido no período de entressafra dos EUA e possuir boa qualidade, diversos países despertaram interesse pelo produto nacional, elevando os embarques nos últimos anos acima de 20 milhões de toneladas. Na safra 2014/2015, as exportações ultrapassaram os 34 milhões de toneladas.
Se, por um lado, os produtores de grãos estão satisfeitos com o crescimento constante da safra de milho e com as novas rentabilidades, garantidas principalmente pelo aumento dos valores exportados, os produtores de ovos, leite e carnes estão preocupados devido aos elevados preços do cereal. Com a forte desvalorização do Real frente ao dólar, nos últimos meses, a alta do milho no mercado nacional mesmo no período de colheita, momento em que aumenta a oferta do cereal, tem comprometido a rentabilidade das atividades pecuárias.
Esta nova realidade para as cadeias produtivas de grãos e pecuária nas quais o produtor de grãos tem condições de armazenar seu produto na espera do momento ideal para comercializar, além da grande demanda do mercado externo, mostram que é o momento de os agentes do setor da produção animal proporem a elaboração de políticas públicas de longo prazo com relação ao suprimento de grãos em patamares de preços que possibilitem boa rentabilidade para o setor pecuário.
A profissionalização dos produtores de grãos, que têm investido em tecnologia e melhorado os sistemas de gestão das propriedades, fez com que os mesmos definam o preço de venda de sua produção e, caso estes valores não sejam atingidos, a opção adotada é manter o produto armazenado por mais tempo. Nesse contexto, o milho mantido no mercado interno está nas mãos de produtores capitalizados, mostrando que o agricultor alcançou um patamar de profi ssionalização de produção e gestão que possibilita gerenciar o momento ideal de vender sua produção.
Em contrapartida, é necessário que os agentes dos setores de carnes, ovos e leite desenvolvam ferramentas para garantir a aquisição dos grãos a preços competitivos, gerando rentabilidade positiva para o setor e, consequentemente, fomentando o desenvolvimento da atividade com a agregação de valor.
A produção brasileira de grãos está alcançando um nível tal onde a tecnologia empregada dentro da porteira possibilita o desenvolvimento do setor devido à melhor gestão das atividades, garantindo renda ao produtor rural. Isso foi possível devido à forte mobilização dos agentes públicos que operacionalizam instrumentos necessários em momentos críticos; dos agentes privados que disponibilizam novas opções de insumos com maior efi ciência a preços competitivos; e, especialmente, dos produtores que tem administrado com efi ciência a atividade primária. Todos estes fatores têm contribuído para o agronegócio brasileiro ser reconhecido mundialmente como um dos principais fornecedores de alimentos de qualidade e sustentáveis dos pontos de vista social, ambiental e econômico.
* Alan Fabricio Malinski é Assessor Técnico de Cereais, Fibras e Oleaginosas e Engenheiro Agrônomo com MBA em Agronegócio
O cultivo de milho no Brasil vem desde os primórdios da colonização portuguesa. No princípio o produto era utilizado basicamente para a subsistência, mas com o decorrer do tempo foi ganhando importância e transformou-se no principal insumo para a produção de aves e suínos. Com o crescimento da produção agrícola brasileira, a partir de 1960 até o ano 2000, as regiões Sul, Sudeste e o estado de Goiás respondiam por aproximadamente 70% da oferta nacional do grão. Entretanto, a partir de 2001, a dinâmica da produção do cereal começou a tomar novos rumos, sendo que, na safra atual (2015/2016) o montante da produção destes estados representou menos de 45% da colheita no país.
Os fatores responsáveis por esta mudança na cadeia produtiva do milho são diversos: expansão da agricultura para o cerrado; busca por novas tecnologias pelos produtores; desenvolvimento de sementes mais adaptadas às condições edafoclimáticas de cada região; aquisição de equipamentos de melhor rendimento e desempenho; criação de técnicas redutoras de perdas físicas e de qualidade, sem desprezar a preocupação ambiental e a adoção de políticas públicas voltadas para fortalecer o setor.
A expansão da soja para o cerrado levou junto a cultura do milho, que, inicialmente, era utilizado somente como prática de rotação de cultura para incrementar palhada ao solo fraco do bioma e também para quebrar o ciclo de pragas e doenças. De acordo com relato de diversos produtores, as áreas que passavam pelo cultivo de milho nos três anos seguintes apresentavam ganho de produtividade de três a cinco sacas de soja, comparativamente às áreas que não realizavam esta prática.
Desta forma, os produtores adotavam o plantio de milho em aproximadamente 20% das áreas, em cada ano, com o objetivo de melhorar a estruturação do solo e aumentar o rendimento das lavouras de soja. Assim, esta técnica começou a ganhar importância em Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul.
Entretanto, a partir de 2001, o plantio do milho segunda safra passou a ganhar destaque no cerrado (Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás), assim como no Paraná e em São Paulo. Como mostra o gráfico 01, a participação do milho segunda safra passou de 24% da área plantada no período 2001/2002 para os surpreendentes 63% nesta safra atual, tornando-se a principal safra do cereal.
O crescimento da participação do milho segunda safra ocorreu devido ao desenvolvimento da variedade de soja mais precoce, que possibilitou a liberação de área para o plantio do milho no Cerrado a partir da segunda quinzena de janeiro até início de março, período considerado ideal para o cultivo do grão. Como nestes estados as chuvas ocorriam até meados de abril, as áreas plantadas até a primeira quinzena de fevereiro tinham rendimento acima de 100 sacas de 60 quilos por hectare.
As lavouras semeadas na segunda quinzena de fevereiro, no entanto, tinham potencial produtivo reduzido para aproximadamente 80 sacas por hectare e as áreas implantadas a partir deste período reduziam seu potencial drasticamente. Desta forma, as áreas cultivadas a partir da segunda quinzena de fevereiro eram realizadas com sementes de baixa tecnologia e com menor investimento em adubação e tratamentos fi tossanitários.
Neste período, os produtores relataram que a opção pelo plantio do milho segunda safra era de alto risco e que o objetivo não era obter lucro com a atividade. Desta forma, o plantio do cereal era realizado em aproximadamente 20% da área com o objetivo de obter renda para suprir os custos operacionais, cumprir com a folha de pagamento dos funcionários, reduzir a ociosidade dos funcionários na entressafra e fornecer boa palhada de cobertura para a próxima safra de soja.
A partir da safra 2011/2012, contudo, os rumos do milho safrinha começaram a seguir outra direção, devido ao fato de as chuvas do Centro-Oeste terem se prolongado até meados de junho e julho. Em 2012, as lavouras que normalmente obtinham rendimento de 100 a 120 sacas, obtiveram produtividades de 160 a 180 sacas com o mesmo investimento em insumos e tecnologia.
Com este incremento no regime hídrico, a produtividade média de Mato Grosso passou de 66 para 95 sacos por hectare (ha) e no Mato Grosso do Sul, o rendimento passou de 55 para 85 sacas por hectare. Logo, a média brasileira do milho segunda safra chegou
aos 86 sacos/ha, ante 61sacos/ha na safra anterior. Desta forma, a produção do milho segunda safra passou de 22,5 milhões para 39,1 milhões de toneladas (+43%), contribuindo também para o aumento de área de 1,46 milhão de hectares.
Nas safras seguintes, as chuvas continuaram se estendendo até meados de junho e julho, contribuindo assim para a manutenção das produtividades nestes novos patamares. Com este novo cenário, os produtores começaram a investir em tecnologia nas áreas plantadas até a primeira quinzena de março, buscando aumentar a produção e melhorando a rentabilidade da cadeia produtiva.
Sob esta ótica, a participação do milho segunda safra, no cultivo das propriedades do Centro-Oeste e das regiões Norte e Oeste do Paraná, subiu de 20% para aproximadamente 40%, a partir do momento em que os produtores visualizaram a possibilidade de aumentar a rentabilidade com esta cultura. Desta forma, o planejamento para a implantação das lavouras em cada ano safra já está contabilizando a participação do milho após a colheita da soja. Com este novo panorama da cultura, mesmo com a queda constante da área da produção do milho verão, o aumento das áreas de milho segunda safra determinou incremento de 19% na área plantada, a partir de 2000, resultando em um aumento de 97% na produção nacional do cereal.
Este grande salto em produtividade e produção, contudo, começou a provocar problemas aos produtores, pois não havia local apropriado para o armazenamento deste montante.
Sendo assim, começou a aparecer pilhas e pilhas de milho armazenadas a céu aberto, ocasionando perda de qualidade e quantidade. Diante deste quadro, os preços do cereal após a colheita do milho segunda safra permaneciam por alguns meses abaixo dos preços mínimos determinados pelo governo federal.
Como consequência, de 2010 a 2014, foi necessária a intervenção estatal por meio de programas como os de Aquisição do Governo Federal (AGF), contratos de Opção de Venda e leilões de Prêmio para Escoamento de Produto (PEP) e Valor de Escoamento do Produto (VEP), dentro do objetivo de garantir os preços mínimos aos produtores do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás.
Com esta nova realidade e diante da opção de melhorar a rentabilidade do plantio do milho segunda safra, os produtores começaram a buscar formas para armazenar a produção, esperando assim o melhor momento para efetuar a venda do cereal, visando aumentar os lucros. Neste contexto, o governo federal lançou em 2013 o Programa de Construção de Armazéns (PCA), para a ampliação e construção de novos armazéns com prazo de até 15 anos para pagamento, três anos de carência e taxas de juros controladas.
Assim, muitos produtores aderiram ao programa com o objetivo de ampliar a capacidade de armazenamento na propriedade (Foto 04). Outra opção que ganhou destaque e cresceu com este cenário foi a utilização dos silos bolsa (Foto 03), uma alternativa de baixo custo que possibilita o armazenamento dos grãos por até três anos sem comprometer a qualidade do cereal.
Em razão do aumento de produção dos 57,4 milhões para 84,7 milhões de toneladas na safra de 2014/2015, o Brasil assumiu a posição de segundo maior exportador mundial de milho, atrás apenas dos Estados Unidos (EUA). Devido ao fato de o milho segunda safra ser colhido no período de entressafra dos EUA e possuir boa qualidade, diversos países despertaram interesse pelo produto nacional, elevando os embarques nos últimos anos acima de 20 milhões de toneladas. Na safra 2014/2015, as exportações ultrapassaram os 34 milhões de toneladas.
Se, por um lado, os produtores de grãos estão satisfeitos com o crescimento constante da safra de milho e com as novas rentabilidades, garantidas principalmente pelo aumento dos valores exportados, os produtores de ovos, leite e carnes estão preocupados devido aos elevados preços do cereal. Com a forte desvalorização do Real frente ao dólar, nos últimos meses, a alta do milho no mercado nacional mesmo no período de colheita, momento em que aumenta a oferta do cereal, tem comprometido a rentabilidade das atividades pecuárias.
Esta nova realidade para as cadeias produtivas de grãos e pecuária nas quais o produtor de grãos tem condições de armazenar seu produto na espera do momento ideal para comercializar, além da grande demanda do mercado externo, mostram que é o momento de os agentes do setor da produção animal proporem a elaboração de políticas públicas de longo prazo com relação ao suprimento de grãos em patamares de preços que possibilitem boa rentabilidade para o setor pecuário.
A profissionalização dos produtores de grãos, que têm investido em tecnologia e melhorado os sistemas de gestão das propriedades, fez com que os mesmos definam o preço de venda de sua produção e, caso estes valores não sejam atingidos, a opção adotada é manter o produto armazenado por mais tempo. Nesse contexto, o milho mantido no mercado interno está nas mãos de produtores capitalizados, mostrando que o agricultor alcançou um patamar de profi ssionalização de produção e gestão que possibilita gerenciar o momento ideal de vender sua produção.
Em contrapartida, é necessário que os agentes dos setores de carnes, ovos e leite desenvolvam ferramentas para garantir a aquisição dos grãos a preços competitivos, gerando rentabilidade positiva para o setor e, consequentemente, fomentando o desenvolvimento da atividade com a agregação de valor.
A produção brasileira de grãos está alcançando um nível tal onde a tecnologia empregada dentro da porteira possibilita o desenvolvimento do setor devido à melhor gestão das atividades, garantindo renda ao produtor rural. Isso foi possível devido à forte mobilização dos agentes públicos que operacionalizam instrumentos necessários em momentos críticos; dos agentes privados que disponibilizam novas opções de insumos com maior efi ciência a preços competitivos; e, especialmente, dos produtores que tem administrado com efi ciência a atividade primária. Todos estes fatores têm contribuído para o agronegócio brasileiro ser reconhecido mundialmente como um dos principais fornecedores de alimentos de qualidade e sustentáveis dos pontos de vista social, ambiental e econômico.
* Alan Fabricio Malinski é Assessor Técnico de Cereais, Fibras e Oleaginosas e Engenheiro Agrônomo com MBA em Agronegócio

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