O La Niña vem aí?

Categoria Geral - 8 de junho de 2016

O último ano foi marcado pelo fenômeno El Niño, que potencializa os extremos climáticos em boa parte do Brasil e que foi considerado um dos mais fortes da história, chegando ao seu ápice entre dezembro de 2015 e janeiro de 2016.

De acordo com Marco Antonio dos Santos, o El Niño está em enfraquecimento atualmente, ou seja, as águas superficiais do Pacífico Equatorial entraram em um processo de neutralidade, mas isto será breve, já que a previsão é da atuação do La Niña no segundo semestre deste ano.

Simulação meteorológica do fenômeno La Niña em novembro de 2016/ Fonte: NOAA

Diferente do El Niño, o fenômeno previsto é caracterizado pelo resfriamento anormal das águas do Pacífico Equatorial e que muda o padrão de chuvas no mundo todo, além de manter as temperaturas sem grande amplitude térmica e as frentes frias deslocadas para o Oceano, por exemplo.

“Pela primeira vez em um ano, o Oceano Pacífico Equatorial apresenta áreas com águas mais frias que a média, mostrando que a mudança de El Niño para uma breve neutralidade e posterior La Niña está bem estruturada e será inevitável”, comenta o meteorologista Celso Oliveira.

Quando os efeitos do La Niña começarão a ser percebidos?
De acordo com a Universidade de Columbia, há mais de 70% de chance do desenvolvimento do fenômeno La Niña entre o segundo semestre deste ano e o primeiro semestre de 2017, com simulações dinâmicas que indicam temperatura até 1ºC mais fria que o normal entre o fim da primavera e o início do verão no Hemisfério Sul.

“As simulações indicam que os núcleos de chuva mais intensa ficam cada vez mais próximos do litoral da região Sul nos próximos meses, algo bem típico de La Niña. Além disso, as frentes frias devem ficar cada vez mais zonais, sobre o Sul e litoral do Sudeste, o que indica que a chuva perderá força aos poucos sobre o interior do país”, explica Oliveira.

Como o La Niña vai ser mais perceptível durante a primavera no Brasil, as temperaturas até ficam elevadas durante a estação, mas não haverá um calor escaldante se comparado ao que foi registrado em 2015.

A última vez que o La Niña atuou após o El Niño, com um breve período de neutralidade entre os dois fenômenos climáticos foi em 2010 e 1998.

Por Marco Antônio dos Santos – agrometeorologista SOMAR

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