Sanidade animal cuidando da saúde do rebanho

Categoria Geral - 5 de Março de 2015

O Brasil é um país com proporções continentais, característica que permitiu conquistar o título de portador do maior rebanho comercial de bovinos do mundo. Nosso rebanho já ultrapassa a marca de 200 milhões de cabeças, que possibilitou assumir a liderança nas exportações e venda em mais de 180 países (valores reconhecidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA). Agora, a próxima meta da pecuária brasileira está sendo trabalhar a qualidade de nosso produto ofertado.

Tamanha globalização disponibiliza cada vez mais conhecimento para a sociedade que, consequentemente, exige do produtor padrões superiores de origem e qualidade dos alimentos. Vivenciamos incessantes embargos sobre o produto brasileiro, hora por questões sanitárias, hora por resíduos de medicamentos e muito se perde financeiramente para contornar cada evento deste.

No entanto, alguns embargos poderiam ser evitados se o produtor brasileiro acreditasse um pouco mais na Sanidade Animal. Existem normas e regras que estabelecem medidas preventivas a serem adotadas no sistema produtivo. Estas envolvem uso de vacinas, controle de trânsito animal, período de carência que deve ser respeitado após administração de medicamentos dentre outras. São medidas sustentadas por resultados de exaustivos trabalhos de pesquisa cientifica.

Baseando-se em informações de tamanha consistência, foram desenvolvidos os diversos programas do governo contendo orientações de controle sanitário na produção de bovinos: Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose (PNCEBT), Programa Nacional de Controle da Raiva dos Herbívoros (PNCRH) e o Programa Nacional de Erradicação da Febre Aftosa (PNEFA) são frutos destes trabalhos.
Utilizando ferramentas semelhantes a estas, conseguiu-se erradicar a peste bovina no globo terrestre, Portugal erradicou a raiva, o carrapato do bovino foi erradicado nos Estados Unidos da América e o mesmo pode ser dito com relação à brucelose na Grã-Bretanha, Dinamarca, Finlândia, Suécia, Noruega, Áustria, Alemanha, Holanda e Luxemburgo entre outros.

Além de programas governamentais que orientam o sistema de produção, também há formação profissional voltada à prática da Medicina Veterinária Preventiva, capacitando o profissional para aplicar seus conhecimentos em busca de atender necessidades sanitárias individuais de cada propriedade rural. Estes profissionais podem ajudar produtores reduzirem o prejuízo econômico causado por enfermidades como cisticercose, brucelose, tuberculose, leptospirose, ectoparasitos, raiva, diarreia dos bezerros, helmintos, tristeza parasitária bovina e outras ainda hoje presente em grande parte dos rebanhos, cujo proprietário descuida-se por não buscar serviços veterinários direcionados a área, onde mesmo após realizar tratamento medicamentoso, a enfermidade se mantém prevalente por falta da adoção de medidas preventivas.

Por fim, a Organização Mundial de Sanidade Animal (OIE) promoveu em 2011, juntamente com a Organização das Nações Unidas para Saúde e Alimentação (FAO), Organização Mundial de Saúde (OMS) e Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) a campanha “Um mundo, uma saúde”. Esta leva a seguinte mensagem: Para as doenças, não há separação entre o homem, os animais e o meio ambiente. Desta forma, realizar investimos em Medicina Veterinária Preventiva para os nossos animais, não visa apenas beneficiá-los com melhores condições. Tal atitude reflete em nossa própria saúde, pois dividimos o mesmo espaço, compartilhamos os mesmos recursos e vivemos no mesmo planeta.

Por: Thiago Souza é médico veterinário, instrutor do Senar Goiás para turmas do Pronatec e Inseminação Artificial, mestre em Sanidade Animal, Higiene e Tecnologia de Alimentos e possui especialista em Sanidade Animal pela UFG

Outros Artigos