Você possui assistência técnica?

Categoria Geral - 5 de Março de 2015

O agronegócio brasileiro movimenta cifras de bilhões de reais em exportação, gerando centenas de milhares de empregos em toda sua cadeia produtiva, além de levar alimentos in natura e industrializados às mesas dos brasileiros e ao resto do mundo. No contexto recente de crise econômica, o agronegócio foi o setor relevante para minimizar os desequilíbrios das contas externas do Brasil.

Perante as cobranças do concorrido mercado internacional, atender à demanda, principalmente de alimentos, não tem sido uma missão fácil ao agronegócio nacional. Para isso, é crucial que todas as esferas produtivas tenham competitividade, pautada na utilização de tecnologia para aumento de produtividade e agregação de valores aos produtos.

No início da cadeia produtiva está o produtor rural, do pequeno ao grande, que trabalha com a responsabilidade de produzir arroz, feijão, leite, frutas, hortaliças e outros alimentos que irão abastecer desde feiras populares a indústrias. Contrastando com esse mercado exigente está a realidade enfrentada no campo, que muitas vezes dificulta ainda mais atingir a qualidade demandada pelo mercado. São elas: intempéries climáticas, pragas e doenças, trabalho pesado, preços insatisfatórios, pressões para preservação ambiental.

Pergunto principalmente ao pequeno e médio produtor: diante de tantas dificuldades impostas ao sucesso do trabalho no campo, o que você tem feito para minimizar os danos e potencializar sua produção? Você já pensou em como seria diferente a realidade de sua propriedade caso dispusesse de assistência técnica? Ou você ainda tem o conceito de que assistência técnica é somente para grandes propriedades?

Existe um déficit gigantesco de assistência técnica em nosso país, atingindo principalmente os pequenos e médios produtores. Estes, em sua maioria, “tocam” suas propriedades sem nenhum tipo de consultoria especializada, utilizando apenas informações “práticas” de vizinhos, parentes, ou até mesmo de alguns programas de televisão. Alguns, de forma pior, estão estagnados (“parados no tempo”) e seguem a “teoria de Gabriela”, em que, “nasceram assim, cresceram assim e vão morrer assim”, negando-se a reconhecer a fragilidade de seu negócio e a necessidade de diminuição dos custos e aumento dos lucros.

Falta ainda uma assistência técnica contínua, em que o consultor visite a propriedade com uma frequência maior, conhecendo a realidade dessa e levando informações que vão desde mudanças simples de hábitos à implementação de recursos de maior tecnologia, o que não necessariamente está relacionado com grandes investimentos financeiros.

Para sanar essa deficiência, entra em cena o profissional de ciências agrárias, seja ele engenheiro agrônomo, zootecnista ou médico veterinário. Este profissional atua como um “solucionador de problemas”: faz um diagnóstico dos fatores agravantes à produção e propõe resolução destes fatores e implementação de práticas para melhoria da produtividade.

A ideia é criar um planejamento participativo, integrando o conhecimento técnico ao saber tradicional do agricultor. Dessa forma, o consultor não é o detentor de todo saber, mas aquele que levará conhecimento científico e inovação tecnológica que se aliarão ao conhecimento do agricultor e à vontade de ambas as partes em promover o desenvolvimento da área trabalhada.

O Senar Goiás e a Faeg trouxeram para Goiás através do Programa Goiás Mais Leite “A Metodologia Balde Cheio”. Realizada em parceria com prefeituras, sindicatos rurais, cooperativas e outros parceiros levam assistência técnica ao campo e traz resultados significativos aos produtores de leite.

O programa visa intensificar o uso das pastagens, realizar controles econômicos e zootécnicos da propriedade, respeitar o meio ambiente e claro, melhorar a vida dos produtores e suas famílias, seja na questão financeira ou até mesmo num ganho de autoestima.

Você, produtor rural, seja de qualquer atividade produtiva: procure assistência técnica capacitada! Perca o medo de sua propriedade não ter potencial para manter um consultor técnico. Na realidade, é ele quem o ajudará a potencializar sua propriedade e viabilizar formas de aumento dos lucros.

Por: Athos Bonifácio é consultor do Programa Goiás Mais Leite / Balde Cheio do Senar Goiás e engenheiro agrônomo.

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