Chicago: cotações da soja despencaram

Quanto às exportações de soja realizadas pelos EUA, as vendas líquidas, na semana encerrada em 28/06

As cotações em Chicago, após ensaiarem uma reação no dia 06/07, despencaram novamente durante o restante da semana, sendo que o primeiro mês cotado fechou a quinta-feira (12) em US$ 8,30/bushel, após ter atingido a US$ 8,29 na véspera, uma das mais baixas cotações dos últimos 10 anos. Uma semana antes o bushel estava valendo US$ 8,35.

De fato, a reação do dia 06/07 foi, na verdade, um ajuste técnico acompanhado de uma avaliação errônea quanto aos reais efeitos da guerra comercial entre EUA e China, iniciada, na prática, justamente no dia 06/07. Diante da necessidade de auferir lucros depois de quedas constantes, os operadores se apegaram a números mais positivos das exportações estadunidenses para justificar a elevação dos preços naquela sexta-feira. Porém, nos dias seguintes o movimento não se sustentou e Chicago, sob o peso crescente da guerra comercial sino-estadunidense afundou definitivamente.

Quanto às exportações de soja realizadas pelos EUA, as vendas líquidas, na semana encerrada em 28/06, atingiram a 561.600 toneladas para o ano 2017/18, representando 78% acima da média das quatro semanas anteriores. Para o novo ano comercial 2018/19 o volume chegou a 458.700 toneladas. Já as inspeções de exportação somaram 654.834 toneladas na semana encerrada em 05/07, acumulando um total de 50,3 milhões de toneladas no atual ano comercial, contra 53 milhões no mesmo período do ano anterior.

Já em relação ao conflito comercial entre EUA e China a situação só fez se agravar nestes últimos dias. Os EUA iniciaram a aplicação de tarifas alfandegárias sobre 800 produtos importados da China, levando o país asiático a revidar, colocando igualmente tarifas sobre produtos oriundos dos EUA. Diante de tal situação, os Fundos especulativos voltaram a vender posições, atingindo a 54.000 contratos vendidos, adicionando apenas nesta semana 10.000 contratos àquele total.

Durante a semana, para complicar o quadro, o presidente Trump informou que, além do plano tarifário de US$ 34 bilhões implementado, os EUA poderiam colocar tarifas sobre mais US$ 200 bilhões de importações procedentes da China. Os chineses já cogitam de iniciar um processo de represália sobre empresas estadunidenses instaladas em território chinês. Além disso, informaram que a ação dos EUA atingirá o mundo inteiro, como de fato está, pois além de espalhar um movimento protecionista geral sobre o comércio internacional, as empresas da maioria dos países serão diretamente atingidas, pois os produtos visados pelos norte-americanos são fabricados por companhias estrangeiras na China.

Somou-se a isso o anúncio de que as condições das lavouras estadunidenses estabilizaram, ficando, no dia 08/07, em 71% entre boas a excelentes, 22% regulares e 7% entre ruins a muito ruins. Ou seja, até o momento o clima nos EUA não vem provocando preocupações maiores, apesar de algumas previsões mais pessimistas.

Paralelamente, neste dia 12/07 o USDA anunciou o seu novo relatório de oferta e demanda, sendo o mesmo baixista para a soja ao informar os seguintes números para a futura safra dos EUA e do mundo no ano 2018/19:

1)    A área a ser colhida com soja nos EUA foi aumentada para 35,98 milhões de hectares (+0,8% sobre o anunciado em junho);
2)    A produção final dos EUA está agora projetada em 117,3 milhões de toneladas;
3)    Os estoques finais estadunidenses foram elevados para 15,8 milhões de toneladas no novo ano comercial, contra 10,5 milhões em junho e 12,6 milhões estimados para 2017/18;
4)    O preço médio aos produtores estadunidenses, para 2018/19, ficou agora previsto entre US$ 8,00 e US$ 10,50/bushel, diminuindo 75 centavos de dólar por bushel em relação ao projetado em junho;
5)    A produção mundial de soja foi elevada para 359,5 milhões de toneladas, sendo quatro milhões acima do projetado em junho;
6)    Os estoques finais mundiais passam agora para 98,3 milhões de toneladas, os maiores da história;
7)    A produção de soja brasileira na próxima safra está prevista em 120,5 milhões de toneladas. Em se confirmando, será a primeira vez que o Brasil ultrapassará os EUA, se tornando no maior produtor individual de soja do mundo;
8)    A produção da Argentina subiu para 57 milhões de toneladas;
9)    As importações de soja por parte da China foram reduzidas para 95 milhões de toneladas, com um corte de oito milhões de toneladas sobre o projetado em junho (isto devido à guerra comercial entre EUA e China).

Por sua vez, a Conab reviu a estimativa da última safra brasileira, informando que a mesma teria chegado a 118,8 milhões de toneladas de soja, não causando surpresas ao mercado.

Neste contexto, os preços no Brasil ficaram totalmente na dependência do câmbio e dos prêmios nos portos. Quanto ao câmbio, o mesmo recuou um pouco durante a semana, girando entre R$ 3,78 e R$ 3,90. Já os prêmios se mantiveram firmes, se estabelecendo entre US$ 1,85 e US$ 2,32/bushel nos diferentes portos nacionais.

Esta situação permitiu que os preços da soja não recuassem muito diante de um Chicago em queda livre. Assim, a média gaúcha no balcão ficou em R$ 76,29/saco, enquanto os lotes ficaram em R$ 80,00/saco no interior. Nas demais praças nacionais, os lotes oscilaram entre R$ 67,00/saco em Querência (MT), até R$ 84,00/saco em Campos Novos (SC), passando por R$ 82,50 em Pato Branco (PR); R$ 71,00 em Chapadão do Sul e São Gabriel (MS); R$ 72,00 em Goiatuba (GO); R$ 68,00 em Pedro Afonso (TO) e R$ 70,00/saco em Uruçuí (PI) (cf. Safras & Mercado).

Dito isso, a comercialização da última safra brasileira de soja atingia a 78% do total em 06/07, contra 76% na média histórica. Por estado nacional a mesma assim se apresentava: no RS 65% comercializado, contra 62% na média histórica; PR 72% contra 70%; MT 88% contra 85%; MS 71%, contra 70%; Goiás 83%, contra 85%; Santa Catarina 63%, contra 65%; SP 78%, contra 70%; MG 72%, contra 88%; BA 76%, contra 80%; demais estados produtores reunidos 89% comercializado, contra 80% na média histórica (cf. Safras & Mercado).

Enfim, quanto a comercialização antecipada da futura safra de soja, o Brasil apresentava, até o dia 06/07, um total de 15% negociado, contra 11% na média histórica, sendo que o Rio Grande do Sul estava com 8% negociado, contra 5% na média; o Paraná com 16% vendido, contra 7%; o Mato Grosso com 20%, contra 15%; Mato Grosso do Sul 15%, contra 11%; Goiás 10%, contra 12%; São Paulo 10%, contra 6%; Minas Gerais 19%, contra 9%; Bahia 12%, contra 15%; Santa Catarina 6%, contra 3%; e os demais estados produtores 21% já comercializado, contra 16% na média histórica nesta época do ano (cf. Safras & Mercado).

Fonte: CEEMA/Ijui

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