Faeg discute posicionamento de ONG no caso de Rio Verde

ONG cita caso de Rio Verde em relatório sobre agrotóxicos

Relatório da Human Right Watch aponta descaso de autoridade e tentativa de intimidação a pessoas que solicitam maior controle. Em Goiás, avião jogou produto sobre escola

O relatório Você Não Quer Mais Respirar Veneno, sobre o uso de agrotóxicos no Brasil que acaba de ser divulgado pela Human Rights Watch (HRW), organização não governamental internacional de direitos humanos, chama a atenção pelo descaso com que o assunto é tratado pelas autoridades do País. O episódio ocorrido em 2013, na comunidade São José do Pontal, na zona rural de Rio Verde, sudoeste goiano, é apontado no estudo como um dos casos mais emblemáticos. Na época, um avião de pulverização de agrotóxicos sobrevoou uma escola rural localizada a 20 metros de uma plantação de milho e soja intoxicando 90 pessoas, a maioria delas crianças.

De acordo com o relatório, são imensas as falhas do Brasil na proteção das comunidades rurais expostas à dispersão de agrotóxicos. O recente projeto de lei aprovado em junho deste ano por uma Comissão Especial da Câmara dos Deputados “reduziria substancialmente o papel da Anvisa e do Ibama no processo de autorização de novos agrotóxicos, limitando o envolvimento de agências especializadas nos impactos dos agrotóxicos à saúde e ao meio ambiente”, segundo menciona o estudo. Pelo projeto de lei, o termo agrotóxicos seria substituído por produtos fitossanitários.

A HRW explica que elaborou a pesquisa de julho de 2017 a abril de 2018 pelos seguintes motivos: a quantidade significativa de agrotóxicos usados no País em relação ao consumo mundial; o fato de muitos agrotóxicos usados no Brasil serem altamente perigosos; e pela pressão política intensa para enfraquecer o sistema regulatório no País. Conforme a ONG algumas pessoas abordadas para falar a respeito se omitiram expressando medo de retaliação.

Em Rio Verde, os alunos e professores da escola rural, apresentaram sintomas como tontura, diarréia, dores de cabeça, problemas de pele, de rins e de fígado e ficaram hospitalizados alguns dias. Aos entrevistadores da ONG, durante a elaboração do relatório, um professor da escola contou que recebeu inúmeras ameaças depois de pedir um controle mais rigoroso de agrotóxicos no município. Mas ele não foi o único. No Ceará um líder rural foi assassinado pelo mesmo motivo e no Espírito Santo um padre ativista também foi ameaçado depois de pedir um maior controle sobre pulverização.

Segundo a ONG, não há dados confiáveis do governo sobre o número de brasileiros que sofrem as consequências do uso de agrotóxicos. “Não há dados confiáveis do governo sobre quantas pessoas no Brasil sofrem intoxicação por agrotóxicos. O Ministério da Saúde reconhece que a subnotificação de intoxicações por agrotóxicos é uma preocupação e parece claro que os dados oficiais subestimam a gravidade deste problema”.

Para Faeg, informações são inverdades

Presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Goiás (Faeg), Bartolomeu Braz Pereira contesta o relatório da HRW. Ao POPULAR, ele chamou de inverdades as informações elencadas pela ONG e questionou sua competência para fazer o estudo. “O relatório traz muita ideologia. Foi feito com fins políticos. Hoje nossa produção é tão sustentável quanto qualquer outra do mundo. Produzimos alimentos para 1,2 bilhão de pessoas dos principais países do mundo. Se a realidade fosse como mostra o relatório todos estariam mortos”. Sobre o episódio de Rio Verde, Bartolomeu Braz ressalta que de lá para cá muita coisa mudou.

“Aquilo foi errado, o piloto não identificou a escola e o produtor não foi orientado, mas as pessoas já foram punidas e novas orientações foram repassadas, sem contar que a lei estadual que regulamenta a questão foi corrigida”. Ocupando o 4º lugar no ranking da produção agrícola nacional, Goiás produziu no ano passado 22 milhões de toneladas de grãos, segundo a Faeg. “Em Goiás, através do Senar, temos cursos sobre como aplicar corretamente os defensivos. Em agosto vamos realizar um seminário sobre agricultura sustentável. Não dá para criminalizar uma produção dessas, que é bem orientada e bem vista no mundo inteiro”.

Sobre o questionado Projeto de Lei que trata da Política de Defensivos Fitossanitários e de Produtos de Controle Ambiental, Braz afirma que seu principal objetivo é exatamente o contrário do que se preconiza, ou seja, o uso em menor quantidade de pesticidas. “A nossa agricultura é tropical, com pragas o ano inteiro. Os produtos que usamos vão perdendo a eficiência, exigindo a aplicação de mais defensivos. Com essa lei, vamos poder importar produtos eficientes de forma mais ágil. Qualquer país do mundo faz isso.”

Fonte: O Popular Por Malu Longo