Impacto de dissolução do Nafta para Brasil seria dúbio

Um eventual término do Nafta teria efeito duplo para o Brasil. De um lado, empurraria México e Canadá a se engajar em outros acordos comerciais. E o Brasil, com declarado interesse numa parceria com ambos, poderia lucrar.

Mas, de outro, traria danos às empresas brasileiras que investiram nesses países contando com o acesso aos três mercados —o Brasil foi o país que mais investiu no México de 2006 a 2015, por exemplo.

O governo brasileiro tem procurado enfatizar o lado positivo da história. “Não resta dúvida que o Brasil pode se beneficiar desse movimento isolacionista dos EUA”, afirmou à Folha o ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Marcos Pereira.

Segundo ele, as autoridades mexicanas já dão, inclusive, sinais de desejar a aproximação.

No curto prazo, dificilmente haveria um impulso nas vendas para os Estados Unidos. O mercado americano é o segundo maior para o Brasil no exterior, mas o país representa 1% do que os americanos importam.

“China, Japão, Alemanha e Coreia do Sul, que já são grandes parceiros deles, estão em condições melhores de ocupar esse espaço”, diz José Pimenta Jr.,professor de Relações Internacionais da ESPM.

JOGO DE CENA

Apesar dos diferentes cálculos sobre os efeitos para o comércio exterior mundial do fim do Nafta, analistas ainda apostam que a ameaça de Donald Trump não é para valer.

“Diria que é uma tática de negociação. Ao ser muito duro no início, ele força os dois países a sentar na mesa. E cria a disposição para que façam concessões”, diz Diego Bonomo, gerente de comércio exterior da CNI (Confederação Nacional da Indústria).

Fonte: Folha de S.Paulo