A carreira de barista pela ótica de Silvia Magalhães e Isabela Raposeiras

Agricultura - 20 de novembro de 2020

Baristas renomadas, Sílvia Magalhães e Isabela Raposeiras, compartilham os desafios da profissão, destacam o preconceito em relação ao gênero e a necessidade de criar um diálogo diferente com os consumidores

São Paulo, 18 novembro de 2020 – O mercado nacional de café está evoluindo a cada dia, principalmente, quando o assunto é a busca de conhecimento por parte dos profissionais e a possibilidade de obterem informações de qualidade sobre o universo da bebida dentro do próprio país. Apesar disso, segundo as baristas, Sílvia Magalhães e Isabela Raposeiras, participantes de um dos painéis da Semana Internacional do Café, ainda há pontos que precisam ser transformados no mercado, como o preconceito em relação ao gênero, além da necessidade de criar um diálogo diferente com os consumidores.

O painel que ocorreu de forma on-line, hoje, dia 18, pela manhã, recebeu o nome de Veteranas Baristas – A Construção de uma Carreira. Segundo a jornalista Mariana Proença, diretora de conteúdo da Café Editora e mediadora do bate-papo, as duas convidadas são ótimos exemplos de como a carreira de barista pode dar certo.

“A Sílvia e a Isabela são pioneiras, já que começaram a desbravar este segmento quando a profissão mal existia no Brasil. Além disso, é importante destacar o fato de serem mulheres, ou seja, mesmo em uma sociedade machista, construíram uma carreira e ganharam destaque”, diz Mariana Proença.

Isabela Raposeiras, Fundadora do Coffee Lab, acredita que o mercado de cafés especiais e a carreira de baristas estão crescendo a cada dia no país. “É pouco tempo para muita evolução, e isso é maravilhoso. No caso do café especial, ele nasceu na era da internet, o que acelera a divulgação e especialização de profissionais. De quando comecei até hoje, as coisas mudaram muito, mas falando da batalha de gênero, está ficando mais fácil, apesar de que ainda parece que as mulheres têm que provar, mais do que os homens, que são capazes”, afirma.

Assim como Isabela, Sílvia Magalhães, Fundadora da SM Cafés, acredita que o setor do café está se desenvolvendo de forma positiva. Para a barista, no caso dos cafés especiais, está ocorrendo a maturidade do consumidor. “Eu me lembro de uma fase da minha carreira que eu levantava muito a bandeira do café especial, dizendo para todos que não podiam tomar o tradicional. Com o tempo eu mudei isso, porque precisamos entender as pessoas, mostrar cafés diferentes, e aí ensinar que existem outras opções”, explica, Sílvia. “Não podemos dizer para o consumidor que o jeito que ele tomou café até hoje está errado. Mas é nosso papel, oferecer o diferente, ainda mais porque os brasileiros não são preconceituosos quando o assunto é café”, complementa Isabela.

Durante o painel, as baristas também abordaram a importância do estudo e aprimoramento profissional para quem deseja seguir a profissão e inclusive, participar de campeonatos. “O treinamento é sempre importante e no caso de competições, ele começa até anos antes. Tudo deve ser planejado e é preciso treinar exaustivamente. Meu conselho é que profissionais não desistam da carreira, porque mesmo sendo desafiadora, é gratificante e há muitas possibilidades de trabalho”, explica Sílvia.

Segundo Isabela Raposeiras, com ótimos profissionais será possível deixar uma marca forte no mundo de que o Brasil é, antes de nada, o país do café. “Precisamos mostrar que somos um dos melhores do mundo e sermos cada vez mais conhecidos por estarmos envolvidos com uma bebida saudável, natural e que emprega milhares de pessoas”, finaliza.

A Semana Internacional do Café acontece até dia 20, sexta-feira, e as inscrições para o evento digital são gratuitas. Com foco no barista, ainda acontecerão os painéis: Trajetórias do Café – O Início como Baristas, Fala Barista – O Desenvolvimento como Profissional, e IWCA Brasil – A Presença da Mulher onde ela quiser estar – Trajetórias de Profissionais.

Fonte: kb comunicação


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