Aprenda a lidar com carrapatos no rebanho de bovino leiteiro

Categoria Geral - 10 de novembro de 2019

Ao se perceber a infestação do gado por carrapatos, tomam-se logo as providências, pois o produtor fica preocupado com os prejuízos que isso pode acarretar. Inicia-se uma jornada para a escolha de um produto e realiza-se uma infinidade de tratamentos, muitas vezes sem se obter resultados satisfatórios.

Na ânsia de resolver o problema, troca-se indiscriminadamente de produto, o que só vai agravar ainda mais a situação. Em consequência disto, perdem-se, anualmente, no Brasil, cerca de dois bilhões de dólares.

O problema é realmente grave, mas nem por isso a solução deve ser complexa. Basta que se tenha em mente que muito do que se perde com o carrapato decorre dos erros cometidos na tentativa de controlá-lo. Para minimizar os prejuízos, portanto, é importante conhecer bem o inimigo e identificar e corrigir os principais erros cometidos.

Os bovinos adquirem o parasita quando caminham por uma pastagem infestada. As larvas, que são os “filhotes” dos carrapatos, sobem no animal e procuram um local adequado para se fixar. É o início da fase parasitária, ou a fase em que o carrapato permanece fixado ao animal, que dura em torno de 22 dias. Neste período, as larvas se alimentam e se transformam em ninfas que, posteriormente, darão origem aos adultos, que irão sugar o sangue do animal e acasalar.

A fêmea fecundada se enche de sangue e abandona o hospedeiro, iniciando a fase não-parasitária ou de vida livre. No solo, a fêmea procura um local ideal para a postura de 2.000 a 3.000 ovos. Após a incubação, de cada ovo sairá uma larva, que irá se posicionar na ponta da pastagem, à espera de um bovino, fechando o ciclo. Diferentemente da fase parasitária, que tem duração relativamente estável, o tempo de duração da fase de vida livre varia de acordo com a região geográfica e com a época do ano.

Por economia, pressa, cansaço ou falta de orientação, na maioria das vezes, o carrapaticida é aplicado em quantidades insuficientes, o que contribui muito para que o parasita se torne resistente ao veneno.

O problema começa na diluição do produto. Geralmente, a quantidade preconizada pela bula é colocada diretamente na bomba, seguindo-se a adição de água, sem diluição prévia.

O ideal seria o preparo de uma “calda”, diluindo-se previamente a quantidade recomendada para o preenchimento de uma bomba, em um balde à parte, com dois a três litros de água.  Esse conteúdo é, então, colocado, aos poucos, na bomba, adicionando-se água até completar o volume recomendado.

Após o preparo correto do produto, ele deve ser aplicado adequadamente. Para tal, deve-se ter em mente que o banho carrapaticida é, geralmente, a única medida que se adota para combater um inimigo tão prejudicial. Portanto, o dia de banhar deve ser reservado somente para essa prática, conferindo-se total atenção às atividades desenvolvidas. Deve-se regular a pressão do jato, que deve ser suficiente para atingir a pele do animal. O carrapaticida deve ser aplicado a favor do vento (para proteção do aplicador) e no sentido contrário dos pelos, atingindo-se até as regiões de mais difícil acesso, como úbere, face interna das orelhas e entre pernas. Ao final do processo, o animal deverá estar completamente molhado, devendo-se, para tal, utilizar de quatro a cinco litros de solução para cada bovino adulto. Os banhos não devem ser realizados nos períodos de sol forte, para não intoxicar os animais, nem em dias chuvosos, para evitar perdas do produto e seleção de carrapatos resistentes.

Os cuidados a serem adotados pelo operador também são de fundamental importância. Carrapaticida é veneno e a exposição contínua ao produto pode levar a danos irreparáveis à saúde humana. O uso de trajes adequados, a aplicação a favor do vento e o impedimento do contato direto com a pele são fatores que auxiliam a manutenção da integridade do aplicador.

É importante, ainda, a leitura atenta da bula, com objetivo de, além de se ajustar a dose adequada, respeitar o período de carência para garantir a comercialização de um leite de qualidade, isento de resíduos químicos.

A orientação aos produtores sobre o manejo dos animais após o banho também deve ser considerada.

Equivocadamente, evita-se que os animais banhados tenham acesso a uma pastagem contaminada. Deve-se fazer, justamente o contrário, ou seja, levar os animais recém-banhados para piquetes infestados, de modo que estes funcionem como “aspiradores” das larvas, a serem combatidas no próximo banho, já na fase adulta.

A repetição de banhos e o retorno dos animais às pastagens proporcionará a descontaminação progressiva do em torno.

Diante do grave quadro de resistência dos carrapatos aos carrapaticidas químicos, outras alternativas estão sendo pesquisadas e serão divulgadas à medida que sejam validadas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

As vacinas contra o carrapato dos bovinos já são uma realidade. Desde a década de 90 está disponível no mercado brasileiro uma vacina cubana que tem ação sobre o sistema digestório do carrapato, matando-o ou inibindo a postura. Está em fase final de pesquisas uma vacina brasileira, com mecanismo de ação semelhante.

Mais pesquisas se referem ao uso de substâncias derivadas de plantas, os fitoterápicos, e à formação de rebanhos a partir de animais que sejam comprovadamente resistentes a parasitas.

Fonte: Rural Pecuária

Crédito: Texto Comunicação


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