Atentos ao clima e ao mercado, arrozeiros investem em cultivares de ciclo curto 

Agricultura - 27 de setembro de 2018

Agrônomo da RiceTec destaca que cultivares de ciclo curto são uma excelente alternativa para o escalonamento de colheita e potencializar ganhos

Fatores como a forte tendência de redução da área plantada de arroz no Rio Grande do Sul, um possível atraso no plantio devido ao volume de chuvas e a possibilidade de recuperação nos preços do grão, projetam uma safra desafiadora onde investir em tecnologia e qualidade pode ser determinante para encerrar a safra com rentabilidade na lavoura.

Perto de iniciar a janela ideal para semeadura do arroz no estado, que seria de 15 de outubro até aproximadamente 15 de novembro, a maioria dos produtores já finalizou suas estratégias para a próxima safra. No entanto, alguns orizicultores preferem acompanhar as informações do clima e do mercado até o último instante, para aí sim definir ou rever sua estratégia.

Esse comportamento pode ser identificado nos produtores que estão investindo na aquisição de cultivares ciclo curto, em função de questões climáticas ou de mercado. “É um momento de finalização dos negócios. Embora a maioria dos produtores já tenham definido suas áreas, pode acontecer alguma mudança em virtude da época. Quem deixou para mais tarde pode fazer alguma mudança de cronograma como optar por uma cultivar de ciclo curto”, explica Gustavo Karam, engenheiro – agrônomo e RDM da RiceTec, multinacional que desenvolve e comercializa sementes de arroz no Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Conforme o agrônomo, os produtores que utilizam sementes com ciclo curto podem estender um pouco mais a janela de semeadura. “O ciclo curto pode ser semeado um pouco mais tarde e ainda atingir excelentes resultados. Além disso, as cultivares híbridas com ciclo precoce são facilmente adaptadas a zonas temperadas e subtropicais com nível de resistência à brusone e manchas foliares”, afirma Karan.

Outro ponto destacado pelo agrônomo é que as cultivares precoces apresentam o ciclo em torno de 10 a 15 dias inferiores ao das cultivares de ciclo longo. “Este tipo de cultivar permite ao agricultor estabelecer, no planejamento da lavoura, o escalonamento de colheita. É importante o produtor plantar o material de ciclo curto no cedo para colher cedo, mas mesmo semeando no tarde ainda terá uma lavoura com grande potencial produtivo”, destaca.

Por isso, retirar o grão da lavoura no momento correto também pode significar mais rentabilidade no final da safra, como explica o analista de mercado, Cleiton Evandro dos Santos, da AgroDados Inteligência em Mercados de Arroz. “Uma possível redução de área, que também pode acontecer em outros países do Mercosul, pode favorecer um cenário de oferta e demanda ajustada. Sendo assim, existe uma tendência de preços melhores até o início da colheita”, afirma o analista. 

Texto: Emerson Alves/AgroUrbano

Outras Notícias