Bioestimulantes ainda sofrem com mitos

Agricultura - 17 de outubro de 2019

Apesar do inegável sucesso dos bioestimulantes no mercado, esse tipo de insumo agrícola ainda não foi consolidado nas práticas regulares dos agricultores, que, na maioria dos casos, priorizam a proteção e a nutrição das culturas. Embora os bioestimulantes sejam uma proposta interessante para numerosos problemas agrícolas, atualmente, em muitas regiões do globo e entre várias comunidades agrícolas e científicas, os bioestimulantes ainda estão rodeados por uma aura de mitos e incertezas.

Vários autores analisaram esse problema e atribuíram sua origem a um setor considerável da indústria de bioestimulação (Torre et al., 2013; Traon et al., 2014), que em muitos casos colocou interesses comerciais e testes de baixa precisão antes de priorizar a qualidade do produto ou o benefício para o agricultor, juntamente com a ciência que o apoia. Além disso, vale ressaltar que a própria comunidade científica levou a incrementar as expectativas irreais do uso de bioestimulantes por meio de uma série de sucessivas definições incorretas, incompletas ou equivocadas. Um exemplo disso pode ser observado na longa lista de nomes e definições propostas para bioestimulantes e coletadas por Yakhin (Yakhin et al., 2017), incluindo menções como “estimulantes da biogenica”, “contêm reguladores de crescimento de plantas sintéticos ou naturais”.

“É preciso compreender os problemas gerados por essas definições ambíguas, que, em muitos casos, são consideravelmente diferentes das estabelecidas por renomados cientistas do setor, o Conselho Industrial Bioestimulante Europeu (EBIC), ou o mais recente regulamento europeu sobre produtos fertilizantes. Se adicionarmos um uso irresponsável com zelo comercial a essa definição ambígua, juntamente com o controle inadequado pelas legislações existentes, podemos considerar o dano que ambos os paradigmas podem causar no julgamento da comunidade agrícola e, talvez, também sua potencial decepção”, diz Carlos Repiso, analista do agropages.com.

Fonte: Agrolink Por Leonardo Gottems

Crédito: DP


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