Boas práticas na produção do leite

Categoria Geral - 13 de julho de 2017

produção de leite envolve uma série de cuidados em relação à higiene do rebanho, do equipamento, do local de coleta e do armazenamento do leite cru, que pode impactar no produto final. Produtores de leite que trabalham em cooperativas costumam compartilhar o uso de tanques refrigerados, sendo necessário um padrão de coleta e armazenamento, como forma de garantir qualidade. Boas práticas de higienização do processo de produção do leite podem aumentar o rendimento do produtor e garantir uma alta qualidade do produto. Neste relatório você vai se inteirar sobre as melhores práticas de higienização ao longo de todo o processo de produção do leite.

A qualidade do produto está diretamente ligada à higienização do processo e o controle de qualidade acontece periodicamente, através de análises microbiológicas. Quando o leite é de alta qualidade, o produtor recebe um valor maior por litro de leite; quando a produção está com uma qualidade abaixo da recomendada pela legislação, o produtor pode ser penalizado.

Boas práticas na produção do leite

Higienização do equipamento de ordenha

Higienização interna de tubulações

A higienização das tubulações por onde corre o leite da ordenha até o armazenamento é feita através da circulação interna de detergentes e soluções de enxague, conhecida como sistema CIP (Clean in Place). As soluções de limpeza e enxague circulam do tanque de limpeza até todas as partes que entram em contato com o leite serem retiradas, como lactose, gordura, proteínas e minerais.

O sistema de limpeza pode ser manual, intermediário ou automático, dependendo do capital disponível e do tamanho do laticínio. Sistemas automáticos garantem maior segurança e eficiência através de controle de temperatura, volume, diluição, velocidade e drenagem das soluções químicas ao longo do processo de higienização. Abaixo estão alguns pontos do que cuidar quando efetuar a limpeza:

Boas práticas na produção do leite

Boas práticas na produção do leite

Higienização do tanque de refrigeração

Imediatamente após a coleta do leite deve ser feita a limpeza do resfriador e do tanque de refrigeração, para que não ocorra o depósito de resíduos e a proliferação de bactérias.

Higienização do tanque de refrigeração

Entenda o propósito dos diferentes produtos

– Água morna – remove a lactose.
– Detergentes alcalino-clorados + água quente – removem a gordura.
– Cloro presente nos detergentes alcalino – removem as proteínas.
– Detergente ácido – remove os minerais, baixa o pH, neutraliza os resíduos de cloro e alcalinidade, melhora a ação do sanificante. Também prolonga a vida das borrachas e do aço inox, evita a formação de pedra de leite e a proliferação de bactérias.
– Sanitização – remove as bactérias e os micro-organismos que sobreviveram às etapas de limpeza.

Higienização da sala de ordenha

A sala de ordenha deve ser um local de fácil limpeza, com boa drenagem e bem iluminado. A higiene do ordenhador também é importante e deve-se usar roupas limpas, lavar bem as mãos (antes e depois da ordenha) e utilizar luvas. Recomenda-se ainda o uso de luvas de borracha (elas não são obrigatórias, mas oferecem melhor nível de higienização).

Como higienizar adequadamente a sala de ordenha

– Conte com uma sala de ordenha em bom estado de manutenção.
– Disponha de água em quantidades adequadas.
– Quando existirem, as paredes da sala devem ser, preferencialmente, lisas, caiadas ou azulejadas.
– Recolha os utensílios da ordenha para o local onde serão limpos.
– Limpar o local ao final de cada ordenha, removendo totalmente a matéria orgânica (fezes, urina, leite, ração).
– Lavar paredes e piso com jatos de água e esfregar com vassoura ou esfregão.
– Pode-se utilizar detergente alcalino-clorado para a limpeza de paredes e piso.
– Deve-se desinfetar a sala de ordenha mensalmente.
– Quando houver atenuantes (por exemplo, um surto de doença), este período será menor.
– Assegure-se de que a sala encontra-se limpa antes de iniciar a próxima ordenha.

Dicas para economizar água na limpeza da sala de ordenha

A quantidade de água utilizada para a limpeza da sala de ordenha pode chegar a 48% do total de água consumido no processo de produção do leite (outros 37% para a limpeza de equipamentos e apenas 10% para o consumo dos animais). A seguir, algumas dicas que podem reduzir os gastos em até 30%:

– Faça a raspagem do solo antes de começar a lavar. Dessa forma, é possível economizar boa parte da água que seria gasta na limpeza.
– Utilizar água com pressão para reduzir a quantidade total de água necessária.
– Utilize mangueira com fluxo controlado, ao invés de mangueiras de fluxo contínuo.
– Faça manutenção no piso, para assegurar que ele esteja liso e sem trincas.
– Adote um sistema de detecção e prevenção de vazamentos.
– Captação de água da chuva e armazenamento em cisterna podem reduzir o custo da água usada na limpeza da sala de ordenha.
– Reutilize a água em irrigação de alimentos que retornarão para o gado.
– A água utilizada na limpeza pode ser usada para irrigação após passar por um sistema de peneiramento (que retira resíduos sólidos) e lagoas de tratamento por onde fica retida por aproximadamente 20 dias para então fertirrigar uma área de agricultura e capim.

Qualidade da água na higienização

Qualidade da água na higienização

A água é de fundamental importância para a produção do leite tanto como nutriente básico para a vaca leiteira quanto para a limpeza do animal, das instalações e dos equipamentos. O consumo de água médio é de 150 litros de água/dia por vaca. Em sistemas de três ordenhas/dia, somente a limpeza da sala de ordenha pode chegar a 30 litros por vaca/dia. Mas a preocupação não é só com o volume. Na limpeza, a água deve receber especial atenção quanto às suas características fisioquímicas e ao processo de utilização, para que não promova a contaminação microbiológica do produto. Deve-se observar três aspectos básicos da água: a dureza, o pH e a alcalinidade, cujas proporções afetam a maneira como é feita a limpeza dos equipamentos.

Cuidados com a água na limpeza

Potabilidade: a água deve ser limpa, livre de contaminações e devidamente clorada, para garantir a qualidade microbiológica.

Dureza da água: teor de sais de cálcio e magnésio presentes na água. A água ideal para limpeza é de baixa dureza. Uma água “dura” reduz a produção de espuma, compromete o efeito do sabão e impede que a água tenha efeito na sujidade. Se a água disponível tiver alto teor de sais de cálcio e magnésio, estes sais precisam ser neutralizados, antes que a água seja utilizada na limpeza.

Precipitação de carbonatos: quando a água é aquecida ocorre a precipitação de carbonatos presentes na água, criando incrustações no equipamento. Para que isso seja evitado, é preciso escolher um detergente que possua sequestrantes de dureza da água.

Quadro: medidas de dureza da água

Quadro: medidas de dureza da água


Fonte:  Relatório de Inteligência do SEBRAE

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