Citricultura paulista tem alternativas para reduzir riscos

Categoria Geral - 15 de maio de 2019

A edição deste mês da revista Hortiftruti Brasil, publicação do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, traz alternativas a produtores de laranja do estado de São Paulo que têm buscado um modelo de negócio mais diversificado.

Essa busca por mudança na estrutura da fazenda é estimulada pela restrição orçamentária em investir e manter os pomares citrícolas, o que, por sua vez, se deve à crise na citricultura entre as safras 2012/13 e 2014/15. Naquele período, a rentabilidade da cultura se reduziu com força, ao mesmo tempo que o nível tecnológico nos pomares precisou ser ampliado, principalmente pelo aumento da incidência do HLB (greening).

Pesquisadores da Hortifruti Brasil indicam que, quando produtores se veem numa situação de orçamento limitado, muitos têm preferido ampliar a tecnologia nos pomares citrícolas em uma área menor ao invés de expandir e/ou renovar a área com 100% de laranja para a indústria. As estatísticas da citricultura paulista comprovam essa tendência – atualmente, o setor já opera numa área total menor, mas com um nível de tecnologia (produtividade, adensamento e irrigação) muito maior.

Diante desse contexto, a Hortifruti Brasil montou um projeto, tendo como base uma propriedade de 363 hectares com laranja, soja e cana-de-açúcar, chamada de “Projeto Multinegócios”. Este modelo representa hoje um perfil das fazendas citrícolas que estão diversificando suas atividades com cultura anuais, já que o arrendamento de cana é o mais tradicional, mas o plantio de grãos também tem ganhado espaço.

No geral, o estado de São Paulo tem boa aptidão para várias atividades agrícolas, mesmo com alguns percalços climáticos. A diversificação com grãos e com arrendamento para cana pode reduzir o risco de rentabilidade do citricultor. Além disso, o investimento nesse modelo apresenta menor valor frente à produção de laranja para indústria.

Outra alternativa de diversificação é a citricultura de mesa. Neste caso, a escolha muitas vezes não é feita por restrição orçamentária – já que os custos de formação/manutenção dos pomares são maiores, principalmente quando se opta por uma fruta de alta qualidade, que exige investimentos em irrigação – e, sim, pelo fato de a rentabilidade poder ser maior em uma área menor e por minimizar a dependência de um negócio somente voltado à indústria.

Fonte: CEPEA/ESALQ


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