Insegurança na zona rural de Goiás aumenta durante a safra

Agricultura - 11 de dezembro de 2017

De janeiro a outubro deste ano, foram registrados 5.270 roubos e furtos na zona rural de Goiás

Faz muito tempo que a insegurança pública tirou o sossego do campo e não dá trégua o ano inteiro. Mas os relatos de roubos e furtos a propriedades rurais se intensificam nessa época de safra agrícola. É que os ladrões aproveitam a maior circulação de insumos para as lavouras e o armazenamento desses produtos nas próprias fazendas. Em muitos casos, os prejuízos financeiros dos produtores rurais chegam à casa dos milhões de reais.

Normalmente, as quadrilhas são especializadas, agem à noite ou de madrugada, muitas vezes com violência. Bem preparadas, utilizam tratores e até caminhões com guindastes para movimentar cargas pesadas. E cada produto roubado tem destino certo. “Na maioria das vezes, são produtos consumidos rapidamente ou repassados. Máquinas agrícolas são levadas para outras regiões, automóveis são desmontados”, explica o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Goiás (Aprosoja-GO), Bartolomeu Braz Pereira.

“Esse crime organizado está muito à frente da nossa segurança pública. É uma situação difícil que a gente vive, não só no campo, mas na cidade também, por isso o poder público tem que fazer o seu papel, que é dar segurança à população”, critica.

De janeiro a novembro deste ano, a Secretaria de Segurança Pública de Goiás registrou 5.270 ocorrências de roubos e furtos na zona rural, incluindo defensivos, máquinas agrícolas e animais. No mês de outubro, o produtor Volneimar Lacerda entrou duas vezes para a estatística do governo.

Na mesma semana foram furtadas duas propriedades onde ele planta grãos no município de Buriti Alegre, região Sul do Estado. Agindo de madrugada, os criminosos levaram 41 toneladas de adubo de cada fazenda, um prejuízo total de R$ 150 mil.

No momento de procurar assistência da polícia, Volneimar vivenciou uma situação bastante comum em Goiás, principalmente nas cidades menores. Ele levou quase uma semana para registrar o primeiro boletim de ocorrência.

“As informações que nós tivemos por parte do delegado regional é que o efetivo é muito pouco pra atender tantos municípios. Como estamos em um município considerado pequeno [Buriti Alegre], nós não temos efetivo da polícia. Então, o pessoal atende por Itumbiara, que é onde tem uma regional”, conta o produtor. “Precisa ter mais concursos pra ter mais agentes trabalhando. Se não houver investimento por parte do governo, não tem como melhorar nada não.”

Na opinião de Volneimar, existem até experiências positivas, mas que precisam ser implementadas em todo o Estado. Ele cita um caso de Rio Verde, onde um trator foi recuperado menos de seis horas após o roubo, graças ao trabalho da patrulha rural integrada à comunidade.

Projeto de lei

Enquanto o orçamento da Segurança Pública for insuficiente para realmente oferecer segurança à população urbana e rural, a Aprosoja-GO aprova o projeto de lei que permite ao produtor rural ter a posse de arma de fogo em sua propriedade. “Nós apoiamos essa iniciativa porque vivemos essa situação [de criminalidade] atualmente, não conseguimos ter uma segurança adequada. Então é necessário que a propriedade rural tenha armas para o produtor se proteger de bandidos.”

A proposta do senador goiano Wilder Morais autoriza a compra de armas de fogo por produtores com mais de 21 anos de idade. Para isso, seria preciso atender alguns requisitos como residir na propriedade rural e apresentar atestado de bons antecedentes criminais.

No final de novembro, esse projeto de lei foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Se não for apresentado recurso para votação pelo plenário, o texto segue direto para a Câmara dos Deputados.

* Reportagem: Laura de Paula/Aprosoja-GO

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