Inverno deve ficar marcado por El Niño

Categoria Geral - 5 de julho de 2019

Maio foi o mês mais chuvoso dos últimos anos na maioria das regiões do Rio Grande do Sul. Apenas no Sul do Estado é que a chuva ficou abaixo da média. Nas demais regiões, as anomalias ficaram em 200 milímetros (mm) acima do valor normal para o mês. O outono foi mais chuvoso que o normal e uma das causas é o próprio El Niño, com o que se chama de “repique do El Niño”, que ocorre no início do outono, com a intensificação das chuvas.

Em contrapartida, em função do grande número de dias chuvosos, as temperaturas, sobretudo as noturnas, ficaram acima da média. A temperatura mínima ficou acima do normal em todo o Estado, com valores entre +2 e +4 °C na maioria das regiões. Já as máximas ficaram dentro do normal em todas as regiões, exceto no setor Nordeste do estado, onde ficaram entre +1 e +3 °C acima do normal.Situação atual do fenômeno ENOS (El Niño-Oscilação Sul) e perspectivas.

O El Niño continua atuando, sendo que já são sete trimestres consecutivos com anomalias superiores a +0,5 °C na região do Niño3.4. No entanto, esta anomalia tem sinalizado leve declínio no último mês, tanto que, alguns centros de meteorologia apontam para o término do El Niño ao final do inverno. Porém, mesmo que o El Niño se dissipe, a atmosfera ainda responderá como tal por mais um tempo (dois a três meses aproximadamente), conferindo uma condição mais úmida à atmosfera e, assim, favorecendo as chuvas no sul do Brasil.

A grande indefinição continua sendo na região do Niño1+2, que ora está com anomalias positivas, ora com anomalias negativas na temperatura da superfície do mar (TSM). Se esta condição continuar, se terá uma situação parecida com a da safra passada, onde se teve períodos de 10 a 15 dias chuvosos e 10 a 15 dias de tempo mais seco, uma espécie de “gangorra” nas chuvas. Ou seja, se a região do Niño1+2 ficar com anomalias negativas de TSM, haverá um corte nas chuvas no sul do Brasil, mas se a região ficar com anomalias positivas, haverá intensificação das chuvas por aqui.

Os centros internacionais mantêm a previsão de El Niño fraco até o final do inverno, mas a probabilidade caiu para 66% para o trimestre Jun-Jul-Ago, sendo que entre os trimestres de Ago-Set-Out a Jan-Fev-Mar as probabilidades de permanência do El Niño ficam em torno dos 50%. O que se pode afirmar é que as previsões estão indicando uma condição entre Neutralidade e El Niño, ou seja, a La Niña está descartada.

Com relação às águas do Oceano Atlântico Sul, elas têm se mantido mais aquecidas em toda a costa leste do Sul do Brasil, isso também tem favorecido as chuvas no Rio Grande do Sul, sobretudo na metade Leste do Estado.

Sob essas perspectivas, espera-se que o inverno seja mais úmido/chuvoso que o normal, embora tenhamos sistemas de bloqueio atmosférico, como o do início de junho, que reteve as chuvas no Uruguai e proporcionou uma condição de tempo seco e quente no Estado. Este é outro fator a ser destacado, as temperaturas deste outono de 2019. Março ainda teve temperaturas entre a média e um pouco abaixo do normal. Porém, abril e maio ficaram com temperaturas acima do normal, tanto as mínimas quanto as máximas (em torno de +2 a +4 °C acima da média em várias regiões do Estado).

Mas, os recordes ficam para o mês de junho, que até o dia 19/06, tanto as mínimas quanto as temperaturas máximas estavam entre +4 e +6 °C acima dos valores normais para o mês. Há quem goste deste clima mais quente que está ocorrendo fora de época. No entanto, essas anomalias acabam causando desequilíbrio no sistema, como florescimento de plantas antes do tempo, não há o controle de pragas (insetos) e fungos, que seriam causados pelo ambiente mais frio, proporcionando um sinal de alerta para a agricultura do Rio Grande do Sul.

Contudo, há a expectativa de entradas de massa de ar frio e seco que, por ventura causarão geadas, só que o frio não será duradouro como em anos anteriores. Outro aspecto do El Niño é que há a tendência de que o clima frio se prolongue por mais tempo, até setembro e/ou meados de outubro.

Fonte: IRGA

Crédito: Tioni de Oliveira


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