Mesmo sem mar, o mercado está para peixe em Goiás

Piscicultura - 7 de Março de 2018

Com uma produção anual de 34 mil toneladas de peixes, segundo levantamento de 2016 da Associação Brasileira de Aquicultura (ABRAq), Goiás é um dos estados que mais se destaca em uma das atividades que mais cresce no país, a piscicultura, ou criação de peixes.

O estado possui extensas áreas hídricas propícias à instalação de tanques-rede, viveiros escavados e farta oferta de grãos para rações. Conforme levantamento feito pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Governo de Goiás (Emater), Goiás possui cerca de dois mil piscicultores.

A piscicultora Ahnizeret da Silva Guimarães, de 48 anos, decidiu abandonar a advocacia em 2007 para se dedicar exclusivamente à criação de peixes na piscicultura ‘Água Viva’, localizada nas proximidades de Bela Vista de Goiás, município distante cerca de 52 km de Goiânia.

Atualmente, a estrutura da propriedade engloba 28 raceways, 54 tanques-rede e 22 tanques escavados, além de um laboratório de reprodução de peixes nativos. Segundo a piscicultora, o processo produtivo é divido em ciclos, que duram aproximadamente um ano cada.

“Nós produzimos larvas. Nosso laboratório entrega pós-larva para Minas Gerais, Tocantins e Goiás. Hoje a nossa produção de pós-larva é de mais de 10 milhões, isso na safra de peixes nativos. Na entressafra nós trabalhamos com a lambaricultura (produção de lambaris para isca), produzimos pós-larva para os mesmos estados. Ai vem a produção de alevinos. Temos uma produção estimada de dois milhões de alevinos por safra, que são vendidos para pesque-pagues e condomínios fechados. Parte da produção também vai para os nossos parceiros”, explica.

Cerca de R$ 1 milhão foram investidos na construção da Água Viva. O carro-chefe da piscicultura é a Patinga, cruzamento do Pacu com a Pirapitinga do Araguaia. Ao lado da Patinga, a Tilápia, um dos peixes mais bem aceitos no mercado nacional, é vendida para restaurantes e supermercados de Goiânia. Apesar de comemorar o sucesso das vendas, Anizeret reforça que o sucesso nos negócios só foi possível porque ela investiu em cursos de formação e capacitação.

“Primeiro é preciso fazer um Plano de Negócios. De 2015 para cá a piscicultura se expandiu. Essa expansão se deve a órgãos como o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), a Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) e a Emater que têm mostrado para o produtor que a gente (estado de Goiás) tem água, espaço e clima. As universidades abriram as portas para nós produtores, então a gente tem que buscar conhecimento, aprender”, ressalta a piscicultora.

Tilápia

Uma pesquisa feita pela Equipe Técnica da Gerência de Desenvolvimento Sustentável, Aquicultura e Pesca da Secretaria de Desenvolvimento de Goiás (SED), mostrou que a tilápia é a principal espécie comercializada em Goiás, representando cerca de 35% a 40% da produção total. Além da tilápia, também são cultivados em peso o pacu, o tambacu, o tambaqui, e o piau.

O médico veterinário e técnico da Emater, Rolando Mazzoni, é dos responsáveis por orientar piscicultores como Ahnizeret Guimarães. Natural do Uruguai, ele explica porque a tilápia é um dos peixes mais vendidos no estado.

“Nasci do lado do mar e sempre gostei da pesca, de consumir pescado. Lá (Montevidéu, capital do Uruguai) é muito frio, lutamos muito para desenvolver criações lucrativas. Goiás tem um clima ótimo para a produção de peixes, tem muita água e um mercado interessante. Mas a piscicultura não é um negócio simples, planejamento é fundamental”, avalia.

Formação e capacitação

Além de prestar consultorias para produtores, Ronaldo Mazzoni é um dos técnicos que integram um convênio firmado entre a Emater e a Universidade Federal de Goiás (UFG). O objetivo da iniciativa consiste em ampliar os horizontes da aquicultura no estado, por meio do suporte à pesquisa e ao desenvolvimento tecnológico.

No setor de piscicultura da UFG, alunos dos cursos de medicina veterinária, zootecnia e agronomia aprendem a criar peixes na prática. Segundo a professora Fernanda Gomes de Paula, durante as aulas os estudantes aprendem tópicos importantes relacionados ao manejo da qualidade da água e à alimentação dos animais.

“O nosso setor trabalha atualmente com os principais sistemas de produção: viveiros escavados, tanques-rede, sistemas de auto fluxo de água e uso de aeradores na produção. Todas as disciplinas têm uma carga horária elevada. Uma parte da avaliação é feita em cima de um trabalho prático. Os próprios alunos conduzem a produção, a engorda. Eles fazem a preparação dos tanques, alimentam os peixes, pesam, monitoram a qualidade da água, realizam a despesca e fazem avaliações de rendimento de carcaças também”, aponta.

Os peixes produzidos pelos alunos no setor de piscicultura são vendidos para a comunidade local a preços acessíveis. Ainda de acordo com Fernanda Gomes, muitas pessoas acabam fracassando na piscicultura por falta de conhecimento específico.

Fonte: Portal 730

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