Milho: Em meio ao avanço da colheita da 2ª safra, preços recuam até R$ 10,00 por saca no mercado interno

Categoria Geral - 21 de junho de 2016

O pregão desta segunda-feira (20) foi negativo aos preços do milho negociados na BM&F Bovespa. As principais posições do cereal fecharam o dia com desvalorizações entre 0,16% e 2,07%. O vencimento julho/16 era cotado a R$ 45,00 a saca. Já o setembro/16, referência para a safrinha brasileira, caiu 1,19% e encerrou a sessão a R$ 42,19 a saca.

Do mesmo modo, as cotações praticadas no mercado interno também recuaram nesse início de semana. Segundo levantamento realizado pela equipe do Notícias Agrícolas, em São Gabriel do Oeste (MS), o valor caiu 10,53% nesta segunda-feira e encerrou o dia a R$ 34,00 a saca. Em Itapeva (SP), o recuo ficou em 5,45%, com a saca do cereal a R$ 42,49.

Em Mato Grosso, nas praças de Tangará da Serra e Campo Novo do Parecis, a queda foi de 3,33%, com a saca do milho cotada a R$ 29,00. Já nas praças de Ubiratã, Londrina e Cascavel, ambas no Paraná, a desvalorização foi de 2,63%, com a saca a R$ 37,00. Na região de Assis (SP), a perda foi de 1,14%, com a saca a R$ 42,49.

“As cotações do milho já começaram a cair com força desde a última semana, especialmente no Paraná e no Centro-Oeste. Em algumas regiões, o valor da saca de 60 kg chegou a cair R$ 10,00 em uma semana, queda tão expressiva que chegou a travar novos fechamentos de negócios”, reportou o Cepea em nota.

E, de acordo com o consultor de mercado da Brandalizze Consulting, Vlamir Brandalizze, em algumas regiões, os preços têm potencial para recuar entre R$ 3,00 a R$ 7,00 por saca. “Precisamos desse ajuste, os níveis praticados ainda estão acima da realidade, o que acabou complicando a vida dos consumidores. E dificilmente iremos ver novamente as cotações nos patamares praticados em maio”, reforça o consultor.

“O mercado busca um ajustamento, um patamar que atraia os compradores e que ainda gere rentabilidade aos produtores. Em diferentes regiões o que vemos é uma procura por um nível de equilíbrio e que seja favorável para os dois lados da cadeia”, afirma o pesquisador do Cepea, Lucílio Alves.

É consenso entre os analistas de que a pressão sobre os preços é decorrente do avanço da colheita da segunda safra no Brasil. “Apesar das perdas em importantes regiões produtoras devido ao clima, ainda iremos colher uma grande safrinha. Em regiões onde a colheita já está mais adiantada, como o Paraná e o Mato Grosso, temos uma queda mais expressiva nesse momento”, pondera Alves.

E a chegada da safrinha aumenta o interesse de vendas, especialmente nos estados em que o volume comprometido antecipadamente não é tão elevado, conforme ressalta o pesquisador do Cepea. “Há uma expectativa de que o clima favoreça a colheita, o que deve aumentar a disponibilidade do produto. E há déficit de armazenagem em algumas regiões, o que gera uma necessidade de negociação do grão”, completa.

Por outro lado, nesse momento, os compradores estão retraídos no mercado. Já, por sua vez, os vendedores observam a variação negativa e aumentam as vendas para aproveitar os atuais patamares o que acaba pressionando ainda mais os preços, de uma maneira mais intensa, segundo sinaliza o pesquisador da entidade.

“Não podemos esquecer que está havendo muita renegociação de contratos de exportação para o mercado interno. Vale lembrar que muitos contratos são feitos em traders aqui e em outro local do mundo, o que permite essas renegociações de contratos e redirecionamento ao mercado interno. E muitas traders têm cumprido os contratos internacionais com o produto de outra origem, como o dos Estados Unidos, e o produto brasileiro que estava comprometido retorna ao mercado doméstico. Todo esse cenário acaba prolongando um pouco mais a pressão sobre os preços”, diz Alves.

Em relação ao comportamento dos preços, o pesquisador ainda ressalta que será preciso saber qual o real tamanho da oferta brasileira. “Ainda podemos ter revisões para baixo, no cerrado a situação é complicada, assim como no Paraná. Há uma incerteza do lado da oferta, no caso da demanda, precisamos saber qual será o real efetivo das exportações, em julho, agosto e setembro e veremos quanto isso pode ainda enxugar a disponibilidade do produto no mercado interno”, acredita o pesquisador.

Bolsa de Chicago

As cotações futuras do milho negociadas na Bolsa de Chicago (CBOT) encerraram a sessão desta segunda-feira (20) do lado negativo da tabela. As principais posições da commodity ampliaram as perdas ao longo do dia e fecharam o pregão com desvalorizações entre 13 e 16,50 pontos. O contrato julho/16 era cotado a US$ 4,21 por bushel, já o dezembro/16 era negociado a US$ 4,33 por bushel.

“As cotações do cereal fecharam o dia com forte baixa diante das previsões indicando chuvas benéficas para o Meio-Oeste dos EUA esta semana. As previsões meteorológicas parecem mais favoráveis para o milho, mas as previsões mudam diariamente e ainda serão observadas”, disse Bob Burgdorfer, analista e editor do portal Farm Futures.

As informações sobre o comportamento do clima têm sido acompanhadas de perto pelos participantes do mercado diariamente. Isso porque, em meados de julho, as lavouras entram em fase de polinização, uma das mais importantes e, decisivas para a produtividade. Até a semana anterior, em torno de 75% das lavouras do cereal apresentam boas ou excelentes condições. 21% das plantações estão em situação regular e 4% em condições ruins ou muito ruins, conforme dados reportados pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos).

Ainda hoje, o departamento reportou novo boletim de embarques semanais. Na semana encerrada no dia 16 de junho, os embarques de milho somaram 1.235,070 milhão de toneladas, elevando o acumulado a 32.424,863 milhões – e ficaram dentro do intervalo esperado pelos traders, de 1,1 milhão a 1,4 milhão de toneladas. Na semana anterior, o volume embarcado foi de 1.707,867 milhão de toneladas.

Além disso, o mercado segue atento aos dados do mercado financeiro. “Temos a desaceleração do dólar, o bom humor de outros mercados e os investidores comprando mais ações e petróleo. E a incerteza sobre a permanência ou não do Reino Unido na Zona do Euro contribuem para a pressão sobre os preços”, disse Bryce Knorr, do site Farm Futures.

Por: Fernanda Custódio
Fonte: Notícias Agrícolas

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