Milho: Em meio ao bom desenvolvimento da safra americana, mercado inicia 5ª feira estável em Chicago

Categoria Geral - 4 de agosto de 2016

Na Bolsa de Chicago (CBOT), o início do pregão desta quinta-feira (4) é de estabilidade aos preços do milho. Por volta das 7h46 (horário de Brasília), apenas os vencimentos setembro/16 e julho/17 registravam ligeira movimentação com alta de 0,25 pontos e queda de 0,25 pontos, respectivamente. Os contratos dezembro/16 e maio/17 permaneciam inalterados.

“As cotações do milho continuam praticamente inalteradas, pressionados pelas expectativas de boa safra nos EUA, o que deve impactar os estoques”, segundo informações da agência Reuters e reportadas pelo site internacional Business Recorder. A projeção é que os produtores americanos colham uma safra acima de 369 milhões de toneladas e a produtividade poderá superar os 178,87 sacas do grão por hectare.

Isso porque, o clima continua bastante favorável ao desenvolvimento das lavouras em grande parte do Meio-Oeste dos EUA. Ainda ontem, o NOAA – Serviço Oficial de Meteorologia do país – reportou que são previstas chuvas nos próximos dias em grande parte da região produtora. Já as temperaturas deverão continuar elevadas no mesmo período.

Ainda hoje, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) divulga novo boletim de vendas para exportação, importante indicador de demanda. Na semana anterior, o número ficou em 915,3 mil toneladas.

Veja como fechou o mercado nesta quarta-feira:

Milho: Com influência do trigo e da demanda, mercado testa recuperação no pregão desta 4ª feira em Chicago

Depois das perdas recentes, as cotações futuras do milho negociadas na Bolsa de Chicago (CBOT) testaram uma leve reação no pregão desta quarta-feira (3). As principais posições da commodity encerraram a sessão com ganhos entre 0,75 e 1,25 pontos. O contrato setembro/16 era cotado a US$ 3,25 por bushel, enquanto o dezembro/16 era negociado a US$ 3,35 por bushel. Já o março/17 fechou o dia a US$ 3,45por bushel.

Segundo dados do site internacional Farm Futures, além da tentativa de recuperação, as cotações do milho também foram sustentadas pelos ganhos mais fortes observados nos futuros do trigo. “Por sua vez, o trigo subiu diante das preocupações climáticas tanto nos EUA, quanto na Alemanha. E também já houve informações de rendimentos menores na França devido ao excesso de chuvas”, explica o editor e analista do portal, Bob Brugdorfer.

Outro fator que também acabou sustentando os preços foi o reporte da venda de 290 mil toneladas de milho para destinos desconhecidos. O volume deverá ser entregue na temporada 2016/17. As informações foram reportadas pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) nesta quarta-feira. “Milho e soja também foram ajudados por outro lote de vendas diárias de exportação do departamento”, ratifica o analista.

Em contrapartida, o bom desenvolvimento da safra norte-americana ainda pesa sobre os preços. Isso porque, diante do clima favorável a perspectiva é de uma grande safra no país para a temporada. A projeção é que os produtores colham uma produção acima de 369 milhões de toneladas do cereal.

Segundo Michael Cordonnier, um dos consultores mais importantes internacionalmente, os produtores norte-americanos poderão colher até 178,87 sacas de milho por hectare. A estimativa anterior era de 177,8 sacas por hectare.

No período de 10 a 16 de agosto, o NOAA – Serviço Oficial de Meteorologia do país – indica chuvas em algumas localidades do Meio-Oeste do país. Já as temperaturas deverão continuar elevadas no mesmo período. Ainda assim, o USDA manteve o índice de lavouras em boas ou excelentes condições em 76% até o último domingo.

Chuvas previstas para os EUA entre 10 e 16 de agosto - Fonte: NOAA

Chuvas previstas para os EUA entre 10 e 16 de agosto – Fonte: NOAA

Previsão de Temperaturas nos EUA para 10 a 16 de agosto - Fonte: NOAA

Previsão de Temperaturas nos EUA para 10 a 16 de agosto – Fonte: NOAA

Em recente entrevista ao Notícias Agrícolas, o consultor de mercado da França Junior Consultoria, Flávio França, disse que, “temos uma safra praticamente definida nos EUA, em termos de produtividade. Acredito que os preços estão buscando o fundo do poço e deveremos ver o intervalo de US$ 3,00 a US$ 3,50 por bushel. Temos um viés mais baixista às cotações do cereal no mercado internacional, está mais difícil uma recuperação

Produção de etanol nos EUA

De acordo com informações reportadas pela AIE (Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos) a produção de etanol ficou em 1,004 milhão de barris diários na semana encerrada no dia 29 de julho. O volume ficou acima do reportado na semana anterior, de 998 mil barris por dia. Já os estoques subiram de 20,4 mil barris para 20,6 mil barris no mesmo período.

Mercado brasileiro

Na BM&F Bovespa, as cotações futuras do milho encerraram o dia em campo misto. As principais posições do cereal exibiram altas entre 0,11% e 1,02%. Apenas os vencimentos março/17 e maio/17 recuaram entre 0,70% e 0,88%. O contrato setembro/16, referência para a safrinha, fechou o pregão a R$ 45,90 a saca, com ganho de 0,22%. Já o novembro/16 permaneceu estável em R$ 46,80 a saca.

Enquanto isso, no mercado interno, as cotações do milho fecharam a quarta-feira em estabilidade, nas principais regiões pesquisadas pela equipe do Notícias Agrícolas. Em Araçatuba (SP), o preço caiu 2,23%, com a saca a R$ 42,98. Já no Paraná, em Ubiratã, Londrina e Cascavel, o recuo foi de 1,35%, com a saca a R$ 36,50. Em São Gabriel do Oeste (MS), a queda foi de 1,32%, com o preço a R$ 37,50. Em Paranaguá, a cotação da saca para entrega em setembro/16 permaneceu em R$ 33,00.

De maneira geral, os participantes do mercado ainda acompanham as informações sobre as informações da importação de 1 milhão de toneladas de milho transgênico dos Estados Unidos. Além disso, ainda ontem, a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) reportou que irá realizar dois leilões de vendas dos estoques públicos na próxima terça-feira (9), de 50 mil toneladas. As operações são destinadas aos criadores de aves e suínos.

“Esse é o primeiro lote das 500 mil toneladas liberadas pelo Conselho Interministerial de Estoques Públicos (Ciep), por meio de resolução publicada em junho para regulação de mercado”, informou o Mapa em nota.

Paralelamente, os analistas ainda reforçam que há retração das vendas por parte dos produtores, o que voltou a impulsionar as cotações no mercado doméstico. Já as exportações deverão ficar próximas de 20 milhões de toneladas em 2016, conforme projeção da Anec (Associação Nacional dos Exportadores de Cereais).

Dólar

Ainda hoje, a moeda norte-americana fechou o dia com queda de 0,77%, cotada a R$ 3,2408 na venda. Conforme dados da agência Reuters, a queda é decorrente da menor aversão ao risco no exterior e também das expectativas de entradas de recursos externos compensando as preocupações com o ajuste fiscal no Brasil. Os dados mais fortes que o esperado sobre o emprego nos EUA também contribui para o cenário.

Fonte: Notícias Agrícolas

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