Próximas semanas serão definitivas para o milho argentino

Agricultura - 13 de Fevereiro de 2018

Com o plantio das últimas áreas de milho finalizado no norte da área agrícola da Argentina, o país enfrenta realidades contrastantes nos diferentes quadros do cereal, que somam 5,4 milhões de hectares. Essas variações estão vinculadas às diferenciações climáticas durante a primavera e parte do verão e também à data na qual estes quadros foram plantados durante a janela de plantio.

O início da janela de plantio precoce em Buenos Aires, Córdoba, Santa Fe e Entre Ríos esteve marcado por atrasos relacionados aos excessos hídricos e à falta de condição de plantio nos lotes. Isso obrigou alguns produtores a passar parte das áreas destinadas para o plantio precoce para o plantio tardio, baixando o potencial de rendimento. A mesma umidade que atrapalhou o plantio também permitiu que as primeiras etapas de diferenciação de folhas do cultivo se dessem de forma “excelente” e com baixa pressão de pragas.

Em dezembro, as chuvas começaram a diminuir em grande parte da área agrícola enquanto as temperaturas máximas também aumentavam. Tudo isso coincidiu com o período crítico de definição de rendimento dos lotes precoces de milho. A consequência foi uma diminuição do potencial.

As regiões Noroeste e Nordeste argentino não escaparam dos efeitos do contexto climático durante o período de plantio. A princípio, a falta de chuvas no início do verão não permitiu que os trabalhos tomassem fluidez. Em meados de janeiro, as chuvas retornaram e deixaram acumulados importantes nessas regiões, provocando inundações e alagamentos temporários nas províncias de Salta, Tucumán e Chaco.

Neste contexto, o último boletim de estado e condição de cultivo da Bolsa de Cereais de Buenos Aires marca que 60% dos lotes precoces do cereal se encontram hoje com uma condição hídrica de seca a regular, o que afeta o enchimento de grãos regular.

Em dezembro e janeiro, quando mais de 50% dos quadros precoces transitavam o período crítico de floração, cerca de 40% dos lotes também mostrava uma condição hídrica que afetou os grãos, provocando uma diminuição no potencial do cultivo.

Já estão sendo colhidos os primeiros quadros nas regiões do centro-norte de Santa Fe e centro-leste de Entre Ríos, com rendimentos 1500kg abaixo da média das últimas campanhas, entre 3000kg e 5000kg por hectare.

As primeiras estimativas de rendimento dos lotes precoces das regiões centro-norte de Córdoba e das regiões núcleo norte e sul mostram efeitos similares aos relevados nos primeiros lotes colhidos, fazendo com que a projeção de produção de milho totalize 39 milhões de toneladas, segundo a Bolsa de Cereais de Buenos Aires.

Mesmo que este seja um número de produção similar ao da safra 2016/17, foram plantados 300.000 hectares a menos do cereal. As próximas semanas serão definitivas para avaliar o potencial dos lotes tardios. A projeção de safra, assim, ainda tende a sofrer modificações.

Tradução: Izadora Pimenta

Fonte: La Nación

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