RS: semana de temperaturas amenas e chuva no Estado

Agricultura - 21 de fevereiro de 2020

A semana de 20 a 26 de fevereiro terá temperaturas amenas e chuva significativa no Rio Grande do Sul, conforme prognósticos de relatório da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural. Entre esta quinta-feira (20) e o domingo (23), a presença de uma massa de ar seco manterá o tempo firme e as temperaturas amenas, com valores baixos na madrugada, que deverão ser inferiores a 10°C em diversas áreas do Estado.

No Litoral e no Nordeste Gaúcho, a circulação de umidade do mar para o continente manterá a nebulosidade e há possibilidade de chuvas fracas e isoladas.

Na segunda-feira (24), a aproximação de um sistema frontal e o ingresso de ar quente e úmido favorecerão o aumento da nebulosidade e provocarão chuva na maioria das regiões, com possibilidade de temporais isolados.

Na terça (25) e quarta-feira (26), a propagação de uma frente fria manterá a chuva em todo Estado e o risco de temporais aumenta em todas as regiões. A previsão numérica indica que os totais de precipitação deverão ser inferiores a 10 mm na Campanha e Zona Sul.

Nas demais regiões, os valores deverão oscilar entre 15 e 30 mm, e poderão superar 50 mm em alguns municípios das Missões e do Alto Vale do Uruguai.

Situação das culturas

Soja

Os baixos volumes acumulados na semana que passou associados à irregularidade de distribuição das chuvas trouxeram preocupação aos produtores. Em várias regiões as lavouras em estágio de floração e enchimento de grãos demonstram sintomas de déficit hídrico e as primeiras áreas colhidas apresentam produtividade abaixo do esperado.

Na região de Ijuí algumas lavouras semeadas em setembro foram colhidas apresentando produtividade entre 15 e 35 sacos/ha. A grande parte das áreas, em floração e enchimento de grãos demonstram queda de flores, vagens e folhas do terço inferior das plantas em decorrência da falta de chuvas.

Na região de Frederico Westphalen em torno de 20% da área cultivada com variedades precoces, e as primeiras lavouras colhidas atingiram produtividades entre 30 e 45 sacos/ha. O maior percentual da área, semeado em novembro, apresenta boas condições de desenvolvimento, mas que começam a demonstrar sintomas de déficit hídrico.

As lavouras também apresentam sintomas de falta de água na região de Caxias do Sul, onde a fase predominante é de enchimento de grãos. Na região de Pelotas as precipitações também foram esparsas e alguns municípios registram perdas consideráveis de até 40% em Santana da Boa Vista e Pinheiro Machado e até 45% em Capão do Leão.

Na região de Soledade, poucas chuvas foram registradas no mês de fevereiro, resultando em redução da área foliar e queda de flores na lavouras cultivadas em locais com solos mais rasos. Com as primeiras lavouras alcançando a maturação, alguns produtores fazem solicitação de amparo ao Proagro, dada a baixa expectativa de produtividade. Na região de Santa Rosa, a cultura chegou a demonstrar sinais de estresse hídrico nas horas mais quentes do dia, com murchamento das folhas. Com as chuvas no final da semana a situação melhorou.

Arroz

Segundo dados levantados, 18.817 hectares de arroz já foram colhidos nas lavouras no Estado do RS, representando 2% da área implantada. A lavoura orizícola do Estado encontra-se nos seguintes estádios fenológicos: 59% em estádios reprodutivos, 32% em maturação e 7% nos estádios fenológicos vegetativos.

Considerando que 65% da área foi semeada até 15 de novembro, as lavouras se desenvolvem dentro do seu período ideal, as condições climáticas não afetaram as lavouras significativamente até o momento.

Milho
Prossegue a colheita em todas as regiões e as produtividades apresentam redução em relação a expectativa inicial.

Na região de Ijuí durante a semana a colheita avançou em ritmo acelerado. Favorecida pelo tempo seco, proporciona baixos teores de umidade nos grãos o que resulta em um produto de boa qualidade.

Na região de Frederico Westphalen a colheita já atinge 90% da área e as produtividades consolidadas ficam entre 90 e 160 sc./ha.

Na região de Passo Fundo, com 30% da área colhida, já foram realizados 469 vistorias de Proagro, concentrados nos municípios mais atingidos pela estiagem.

Na região de Soledade, as lavouras semeadas nos meses de agosto e setembro seguem em colheita atingindo 70% da área. As produtividades obtidas dessas lavouras variam de 85 a 130 sacas por hectares.

Na região de Bagé as lavouras com melhor desenvolvimento são aquelas semeadas no mês de novembro que tiveram bom estabelecimento e apresentam adequado porte de plantas. Apesar das boas condições de umidade no período de polinização agora estão apresentando rápido secamento das folhas o que caracteriza déficit hídrico, que por sua vez compromete o enchimento de grãos e o rendimento da cultura.

Na região de Pelotas iniciaram as comunicações de Proagro. As chuvas mal distribuídas mantém o quadro de perdas, que podem chegar a 75% nos municípios de Amaral Ferrador e Piratini.

O segundo plantio está totalmente implantado na região de Santa Rosa, sendo que as lavouras apresentaram boa germinação e estabelecimento inicial e após as chuvas do último final de semana já receberam a adubação nitrogenada em cobertura.

Feijão

As lavouras de 1ª safra estão praticamente com a colheita concluída e os produtores avançam na implantação da 2ª safra.

Na região de Frederico Westphalen, favorecida pela antecipação da colheita do milho e soja precoce em decorrência da estiagem, a semeadura do feijão 2ª safra deve atingir mais de 9.000 hectares.

Na região de Soledade, 80% da área prevista já está semeada com a cultura de 2ª safra. As lavouras apresentam crescimento menor que o esperado em função da baixa oferta hídrica.

Na região de Ijuí, a implantação da cultura de segunda safra segue em implantação, com leve atraso, devido à baixa umidade no solo. As lavouras emergidas demonstram desenvolvimento regular, porte mais baixo, com folhas menores e apresentando sintomas de déficit hídrico.

Olerícolas

De maneira geral, o Estado sente com as condições climáticas desfavoráveis, com presença de temperaturas elevadas, baixa umidade relativa do ar, dias abafados e predomínio de tempo seco, causando redução da oferta de produtos, e alguns locais, provocando escassez. Cultivos a campo sem irrigação tiveram crescimento e desenvolvimento paralisado na semana devido ao volume baixo de chuva e redução no volume de produção e qualidade. Foi intensificado o uso de irrigação e malhas de sombreamento no cultivo de hortaliças. A cultura do tomate implantada em meados de setembro apresenta queda de produtividade. Aumenta o ataque de ácaros e tripes. Há relatos de escassez de água, com níveis dos açudes bem baixos.

Batata

Na região de Caxias do Sul, 65% da área da cultura está colhida, 20% pronta para colheita, e o restante da área em estádio reprodutivo. As condições climáticas tiveram influência nesta cultura, com redução no tamanho dos tubérculos, que afeta também a valoração do produto.

Tomate

Na região de Caxias do Sul, os cultivos mais tardios estão em início de colheita, sendo bem evidentes os efeitos da temperatura elevada. Nas lavouras pode-se observar que a primeira penca teve baixo pegamento e poucos frutos.

Frutícolas

Pêssego
Na região de Soledade, a cultura está em final de colheita das variedades tardias. A qualidade do produto é boa em função do tempo seco neste período; porém há redução do tamanho dos frutos em alguns pomares pelo déficit hídrico na fase final de formação do fruto, reduzindo a produtividade. Produtores realizam manejo fitossanitário da podridão parda para evitar a perda de qualidade do produto, complementando o tratamento de inverno de calda sulfocálcica. Nas cultivares tardias, a incidência da mosca-das-fruas é alta, devido às temperaturas mais elevadas que favorecem sua reprodução. Há alta incidência de grafolita.

Uva

Na regional de Caxias do Sul, as condições climáticas que afetam o volume de produção favorecem a qualidade do produto, a sanidade dos parreirais, a cor das frutas e a concentração de açúcar. A colheita na semana foi menos intensa. A variedade Bordô já está com a colheita concluída e a Isabel deve entrar em plena safra na próxima semana. A variedade Niágara rosada, comercializada tanto para consumo in natura como para a indústria, ainda tem áreas por colher.

Na regional de Erechim, a cultura está em final de colheita, com ótima qualidade. Os preços compensam a redução de produtividade.

Na região de Soledade, segue a colheita no Alto da Serra do Botucaraí e Centro-Serra das variedades de mesa Rainha Itália, Benitaka e Rubi em Fontoura Xavier e Barros Cassal. Em Encruzilhada do Sul, variedades Bordô, Niágara e Chardonay estão em fase final de colheita; variedades Merlot, Cabernet e outras destinadas à vinificação estão em plena colheita. A qualidade da uva foi favorecida pela ocorrência de um período mais seco das últimas semanas, resultando em elevada concentração de açúcar na baga. O tempo seco reduz a ocorrência de podridões das bagas e favorece a colheita. No entanto, favorece também o oídio em variedades de mesa, doença que precisa ser monitorada e controlada.

Morango

Na região de Pelotas, segue a colheita do morango de dias neutros, com produção menor, mas com frutos de intenso sabor e doçura. Seguem intensas as atividades de limpeza das plantas e o preparo de áreas para o plantio das mudas para o novo ciclo.

Melancia

Na região de Pelotas, a cultura segue em plena frutificação, e a colheita é intensificada. Devido aos efeitos da estiagem, a produtividade da cultura foi comprometida, com queima dos frutos e ramos pela intensidade da radiação solar e calor. Mesmo nas áreas com irrigação e molhamento, ocorre queima das cascas e dos frutos, inviabilizando a comercialização. Na região de Porto Alegre, a colheita se encaminha para o final.

Pastagens

Com a irregularidade das precipitações associada ao final do ciclo das pastagens anuais de verão, a oferta de forragens destas espécies tem reduzido em quantidade e qualidade. Pastagens perenes de verão seguem ofertando forragem, mas em quantidade abaixo do esperado em função do déficit hídrico. Os produtores iniciam a procura por sementes de pastagens anuais de inverno.

Na região de Bagé, as pastagens naturais tem apresentado boa condição de produção, mesmo com os períodos de estiagem, garantindo oferta de forragem para os rebanhos.

Na região de Caxias do Sul, principalmente nos Campos de Cima da Serra, já se observa semeadura de pastagens anuais de inverno, principalmente aveia e azevém.

Na mesma região, no campo nativo destinado predominantemente aos bovinos de corte, o pasto manteve desenvolvimento estável no período em função da boa luminosidade, com pequeno impacto negativo pela falta de chuvas Nas áreas onde foi colhido o milho silagem, na região de Lajeado, os produtores já estão sendo orientados a planejar as pastagens de inverno e adquirir os insumos para implantar essas forrageiras no mês de março.

Bovinocultura de leite

Na região de Lajeado, além do calor dos últimos dias, a estiagem está afetando o desenvolvimento das pastagens de verão, decrescendo a oferta de volumoso e comprometendo o estado corporal e a produtividade do rebanho. Para a complementação da alimentação os produtores utilizam a silagem. Alguns produtores estão abrindo os silos do milho silagem colhidos em dezembro, e como esperado, constata-se baixa qualidade devido à pouca presença de grãos na silagem.

Na região de Caxias do Sul, seguem intensas as atividades de ensilagem do milho. De forma geral, o rendimento e a qualidade das silagens estão muito abaixo do esperado, pois as lavouras foram fortemente afetadas pela estiagem. Como na maior parte da região a produção de leite é fortemente dependente da silagem de milho, esse cenário deve afetar significativamente a produção de leite nos próximos meses.

Na região de Porto Alegre, a produção leiteira diminuiu drasticamente devido à baixa oferta e qualidade das pastagens naturais e cultivadas, além do estresse dos animais, provocado pelas altas temperaturas que novamente predominaram na semana.

Na região de Santa Rosa, com a diminuição das chuvas aliada ao calor e baixa umidade do ar, as pastagens ofereceram pouca forragem e as vacas pastejaram pouco nos potreiros sem sombra devido ao calor.

Fonte: Seapa


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