Soja se posiciona à espera do novo reporte do USDA e tem manhã de altas em Chicago nesta 4ª feira

Categoria Geral - 10 de agosto de 2016

Os futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago, nesta quarta-feira (10), registram uma nova manhã de altas. Os principais contratos, por volta de 8h (horário de Brasília), subiam entre 4,50 e 5,25 pontos, com as primeiras posições de volta a superar os US$ 10,00 por bushel. O novembro/16, que é referência para a safra americana, vinha sendo negociado a US$ 9,93 no mesmo momento.

Analistas internacionais afirmam que o foco do mercado segue sobre o novo boletim mensal de oferta e demanda que o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) traz nesta sexta-feira, 12 de agosto. Os números mais aguardados são os de produtividade e os das exportações norte-americanas.

As pesquisas iniciais de consultorias privadas indicam que o rendimento pode ser revisto para cima. Já as especulações sobre a demanda se intensificaram depois que, nas últimas duas semanas, o USDA chegou com anúncios de novas vendas em dias consecutivos e de volumes expressivos.

Paralelamente, há ainda a questão climática no Meio-Oeste dos EUA que permanece no radar dos traders e investidores e permitindo ainda um bom desenvolvimento das lavouras americanas e, portanto, reforçando as perspectivas de uma grande safra americana na temporada 2016/17. O potencial da produção também virá no novo reporte do USDA.

Veja como fechou o mercado nesta terça-feira:

Soja: Dólar abaixo dos R$ 3,15 limita ainda mais negócios e recuperação dos preços no Brasil 

A semana parece ter começado bem para os preços da soja na Bolsa de Chicago, porém, no Brasil, os negócios seguem escassos e os valores ainda com dificuldade de recuperação. A pressão exercida pelo câmbio – que nesta terça-feira (9) foi a R$ 3,13 – e mais a baixa oferta disponível no país criam um ambiente propício para esse momento. “As ofertas brasileiras sumiram, diminuíram muito e os embarques também caíram”, relata o consultor de mercado Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting.

Nesta terça, os preços da soja recuaram não só nos portos, como também no interior do país, mais uma vez. No terminal de Rio Grande, queda de 0,76% no disponível e de 0,77% no mercado futuro, para R$ 77,90 e R$ 76,00 por saca, respectivamente. Já em Paranaguá, o disponível manteve os R$ 82,00 e a soja da nova safra foi a R$ 77,00, recuando 1,28%.

Ao mesmo tempo, queda de 1,45% em Campo Novo do Parecis e Tangará da Serra/MT, para R$ 68,00 por saca, e de 0,74% em Londrina, Ubiratã e Cascavel, no Paraná, com a referência em R$ 67,00 por saca.

Diante desses preços, o consultor explica que, apesar de um mercado ainda comprador – vide as boas notícias de demanda dos últimos dias, especialmente por parte da China -, “os vendedores” sumiram e que os negócios, além de regionalizados, são de volumes pequenos e feitos, principalmente, pelos produtores que precisam sanar algumas dívidas desse período do ano. Em estados como Mato Grosso, por exemplo, há cerca de 4% a 5% apenas da safra 2015/16 para ser comercializada, e esse percentual é retido pelo sojicultor, que aguarda por melhores oportunidades de vendas. Já da safra nova, aproximadamente 40% já foi vendido e, assim, os negócios também dão uma “pausa” neste momento.

Bolsa de Chicago

Na Bolsa de Chicago, o dia foi de volatilidade para os futuros da soja e, após trabalhar com ganhos superiores a 13 pontos entre os principais vencimentos, fechou o dia subindo apenas entre 2 e 3,25 pontos, levando o novembro/16, referência para a safra americana, a US$ 9,88 por bushel.

Ainda segundo Brandalizze, o suporte para as cotações ainda vem do bom momento de demanda pela soja norte-americana para dar continuidade ao seu movimento de altas iniciado na última semana.

O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) anunciou, nesta terça-feira, uma nova venda de soja em grãos em 120 mil toneladas para destinos não revelados. O volume é todo da safra 2016/17. Este é o segundo anúncio da semana e, no acumulado, as vendas americanas já chega a 366 mil toneladas. Na semana passada, o total passou de 2 milhões de toneladas.

Ao mesmo tempo, os traders acompanham ainda o desenvolvimento da nova safra de grãos dos EUA e os preços sentem também a pressão das boas condições dos campos americanos de soja. No novo boletim semanal de acompanhamento de safras divulgado no final da tarde de ontem, o  USDA que manteve o índice de lavouras de soja em boas ou excelentes condições inalterado nos 72% até o domingo (7).

Assim, há especulações também sobre os dados que o departamento agrícola dos EUA traz no seu reporte mensal de oferta e demanda na próxima sexta-feira, 12. O número mais aguardado é o de produtividade e muitas consultorias internacionais já esperam por uma revisão positiva nas estimativas do departamento.

“No entanto, se o USDA não aumentar os números de produção dos EUA, o mercado vai trabalhar com dados que já conhece” afirma Brandalizze.

Fonte: Notícias Agrícolas

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