Novas propostas devem fomentar cadeia produtiva

Estado eminentemente agrícola, Rondônia registrou em 2016 uma produção média diária de 2 milhões de litros de leite, superando em quase dois pontos percentuais o volume médio diário do ano anterior, conforme levantamento feito pela Emater-RO. O melhor desempenho do setor esbarra em dificuldades que prejudicam o fomento da produção de leite. Com o objetivo de viabilizar alternativas práticas que possam contribuir para incentivar ainda mais a classe produtora, a Comissão de Agricultura e Políticas Rurais da Assembleia Legislativa reuniu, na tarde de quarta-feira, dia 21, representantes da Secretaria de Estado de Agricultura (Seagri) e da Embrapa-RO (a Emater também foi convidada, mas não enviou representante).

A reunião teve como foco principal o fortalecimento do Programa Estadual de Melhoria da Qualidade e Produtividade do Leite (Proleite) e as aplicações adequadas dos recursos financeiros do Fundo de Investimento e Apoio ao Desenvolvimento da Pecuária Leiteira do Estado, que totalizam em torno de R$ 40 milhões. A meta é aumentar a produção de leite, evitando que os criadores de gado leiteiro fiquem desestimulados. “Temos percebido que existem produtores migrando para o gado de corte e isso pode enfraquecer o segmento leiteiro”, disse o deputado estadual Lazinho da Fetagro (PT), que preside a Comissão.

Segundo ele, é preciso que sejam viabilizados recursos para o setor produtivo, incluindo investimentos que possam manter a classe produtora motivada.

Melhor atendimento ao produtor

Fatores relacionados à logística, operacionalização e infraestrutura foram apontados pela secretária adjunta da Seagri, Mary Braganhol, como entraves para o atendimento mais direto e efetivo ao produtor e o acompanhamento dos programas desenvolvidos nos municípios. “Mas nós temos consciência de que a agricultura precisa ser valorizada”, disse. A reunião destacou, também, a necessidade da readequação do sistema operacional da Emater-RO, apontada pelo deputado estadual Adelino Follador (DEM) como deficientes, sob argumentos de que, da forma como se encontra, a empresa não consegue conduzir as ações e os programas que lhe são atribuídos. Segundo o parlamentar, essa reestruturação é essencial para o desenvolvimento e o avanço da produção leiteira no Estado.

Apoio imediato ao produtor

O deputado estadual Marcelino Tenório (PRP) reforçou que as medidas são necessárias e devem ser implementadas o mais rápido possível. O parlamentar acrescentou que o apoio ao produtor deve ser imediato para que a produção de leite possa ser maior. “Precisamos construir um programa forte para impulsionar a cadeia produtiva do leite no Estado”, frisou. A aplicação dos recursos do Fundo Pró-Leite foi insistentemente defendida durante a reunião, mas, de acordo com o chefe-geral da Embrapa Rondônia, Alaerto Luiz Marcolan, esse não deve ser o foco principal.

Para Alaerto Marcolan, o problema não está relacionado apenas aos recursos financeiros, mas em que as instituições precisam estar reunidas e envolvidas para discutir as alternativas necessárias para o melhor atendimento ao homem do campo. Ele concorda que a Emater precisa ser fortalecida para melhor desempenhar as suas funções voltadas ao setor agropecuário. A Embrapa possui tecnologia e trabalha com a realização de pesquisas que possam contribuir para melhorar a produção leiteira rondoniense, conforme informou Marcolan.

Ele acrescentou que no Laboratório de Leite, construído em área da Embrapa, já estão sendo realizados testes e com mão de obra da Emater. Explicou que a alteração da constituição jurídica da empresa atrasou todo o processo. O chefe estadual da Embrapa informou que aguarda a liberação de recursos do Proleite, e apoio da Fapero, para que o laboratório possa ser certificado junto ao Inmetro e ao Ministério da Agricultura. Uma nova reunião ficou marcada para o dia 2 de agosto.

Fonte:  DIÁRIO DA AMAZÔNIA