O desafio é alcançar a sustentabilidade econômica da lavoura orizícola

O Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) teve papel decisivo em quase um século de história para que a lavoura gaúcha se tornasse referencial em produtividade e qualidade de grão, desenvolvendo genética e sistemas de manejo de altíssimo padrão. Hoje, o Rio Grande do Sul, se fosse um país, estaria entre as cinco principais nações em produtividade média em maior escala produtiva, com quase 8 mil quilos de arroz por hectare na temporada 2017/18, com áreas médias superiores a 13 toneladas.

Para não perder a excelência, o Irga renova seus objetivos de forma periódica, uma vez que alguns desafios da pesquisa, em muitas linhas, precisam de longo prazo para o desenvolvimento, mas a lavoura nem sempre pode esperar por soluções tecnológicas. Partindo dessa premissa, o presidente Guinter Frantz nomeou em março uma comissão para elencar as prioridades que serão trabalhadas a partir do ciclo 2019/20. Participam cientistas, extensionistas e consultores. Conforme Frantz, a solução é antecipar-se às demandas, observando tendências internacionais e fatores de risco à orizicultura.

“O melhoramento genético é o pilar, com ênfase na produtividade, na rusticidade, na qualidade do grão e na resistência ou tolerância a doenças, grupos de herbicidas e outros mecanismos que tragam sustentabilidade ao setor”, enfatiza.

Enquanto consultores agregam novidades e conceitos da pesquisa mundial e da academia, extensionistas traduzem demandas e sugestões do campo e da prática da implantação dos experimentos.

A expectativa é de que o estudo tenha as linhas definidas e as primeiras ações determinadas até junho de 2019. “É um trabalho de continuidade e de evolução, pois o desenvolvimento científico é permanente. Há diversos projetos em andamento na Estação Experimental do Arroz, em Cachoeirinha (RS), e nas subestações regionais”, diz Frantz.

Nas áreas de transferência de tecnologias e de Integração Lavoura-Pecuária, duas ações concentram os esforços do instituto: o Projeto 10+ e o Soja 6.000. O 10+, parceria com o Fundo Latino Americano de Arroz Irrigado (Flar), transfere tecnologias para altas produtividades, o que faz com que o produtor tenha maior rentabilidade. Ao mesmo tempo, busca maior eficiência no uso de técnicas e insumos, racionalização dos custos e rentabilidade. Luciano Carmona, consultor do Flar, coordena o programa.

A safra 2018/19 encerra o atual convênio, mas o Irga deverá renová-lo, de acordo com Ivo Mello, coordenador do instituto na Fronteira Oeste. Ele considera ações de transferência de tecnologia um diferencial para os resultados da orizicultura gaúcha. “É nítido que levar conhecimento ao produtor resulta em lavouras, manejo dos recursos naturais e insumos melhores, e isso traz resultados econômicos. O programa prova isso”, diz.

PARCERIA COM A SOJA

O Soja 6.000 dá suporte tecnológico aos arrozeiros que adotaram a oleaginosa no sistema de rotação de culturas. No Estado, são mais de 300 mil hectares de soja e 1 milhão de hectares de arroz. É uma cultura nova, diferente, exigindo procedimentos que o orizicultor não domina. “O Irga busca, nesse projeto, difundir as melhores práticas e tecnologias para que as áreas de produção alcancem boas produtividades e obtenham resultado na melhoria das condições químicas e físicas do solo, no controle de pragas, doenças e invasoras, e na rentabilidade” explica o presidente Guinter Frantz.

O Irga trabalha em quatro linhas: a primeira, chamada soja de entrada, almeja a condução da cultura a um nível de produtividade de 3 mil quilos por hectare; a segunda é intermediária, de até 4,5 mil quilos; a terceira, de alta produtividade, tem meta de 6 mil quilos, ou 100 sacas de 60 quilos, alcançada por alguns membros do programa; e a quarta opção é recomendar que algumas áreas sem as melhores condições evitem a rotação com soja.

ENERGIA PARA O PROVARROZ

Uma linha de ação prioritária do instituto é o Programa de Valorização do Arroz (Provarroz) no sentido de fortalecer a imagem do grão e incentivar o consumo, por meio de atividades que reforçam sua importância e seu valor nutricional, seu papel como alimento básico brasileiro e suas potencialidades. “Hábitos modernos e falta de tempo motivaram queda no consumo do arroz. Mas com estas ações estamos conscientizando e lembrando os formadores de opiniões e especialistas em alimentação, saúde, nutrição e áreas afins, o consumidor em geral, e até a cadeia produtiva, do papel importante do arroz na saúde e no bem-estar do brasileiro”, frisa Camila Pilownic Couto, coordenadora do Provarroz. O programa, que já construiu forte base no Estado e atuou em países da América Latina, agora planeja ações de âmbito nacional.

Fonte: Editora Gazeta