21.5 C
Jatai
InícioArtigosControle eficiente de plantas daninhas em eucalipto

Controle eficiente de plantas daninhas em eucalipto

*Renata Pereira Marques

*Cristiane de Pieri

O Brasil está entre os maiores países em área de florestas plantadas. Dentre as espécies destaca-se o eucalipto, além de pinus, teca, seringueira, acácia e paricá. Esses plantios concentram-se nos Estados de Minas Gerais, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

De acordo com o relatório da Indústria Brasileira de Árvores (IBÁ, 2020), o Brasil ocupa hoje uma área de 9,0 milhões de hectares de florestas plantadas. Desses 9,0 milhões, 77% (6,97 milhões de hectares) correspondem aos plantios de eucalipto que estão distribuídos em alguns Estados do Brasil, com destaque para Minas Gerais (28%), Mato Grosso do Sul (16%), São Paulo (17%), Bahia (8%), Rio Grande do Sul (7%) e Paraná (4%).

O eucalipto pode ser utilizado para os mais diversos fins: a madeira para fins energéticos, na siderurgia, na construção civil, na extração de óleos essenciais, principalmente para a produção de papel e celulose, entre outros.

Produtividade

A alta produtividade da madeira, aliada aos custos baixos, conferem a atratividade do cultivo desta espécie. A produtividade, contudo, depende de vários fatores. O sucesso no desenvolvimento das árvores, bem como na produção, depende do uso de adequadas técnicas, que se baseiam na escolha da espécie correta, no período do plantio, na limpeza da área, preparo do solo, adubação, controle de pragas e doenças, desrama e controle de plantas daninhas.

Qualquer planta nativa ou introduzida que se desenvolve em local não desejado, disputando os recursos do meio, como água, luz e nutrientes com a espécie cultivada é uma planta daninha. No período inicial do plantio, uma das maiores preocupações é com o controle da matocompetição, que pode diminuir drasticamente o crescimento do eucalipto, e, consequentemente, a produção final.

Portanto, é imperativo a adoção de um programa de controle de plantas daninhas que considere todos os requisitos do manejo integrado, em que são usados todos os conhecimentos e ferramentas disponíveis para produção da cultura, livre de danos econômicos causados pela competição interespecífica.

Desafios

Muitas espécies daninhas podem ser problemáticas na eucaliptocultura e sua diversidade está diretamente associada ao histórico da área de implementação. No Cerrado, a flora infestante é formada por rebrotes das plantas que naturalmente ocupavam a área, enquanto em áreas antes ocupadas por pastagens, o maior problema a ser manejado são espécies gramíneas como Brachiaria spp., Digitaria spp. e Panicum spp.

Além do histórico definir a diversidade das espécies de plantas daninhas, as condições edafoclimáticas e o sistema de produção têm um papel fundamental na comunidade vegetal.

Dentre os tratos culturais, o manejo de plantas daninhas na cultura do eucalipto assume um papel de destaque, sendo uma das atividades mais caras e impactantes na produtividade florestal. Estima-se que 30% dos custos totais de produção e mais de 50% da mão de obra utilizada na cultura do eucalipto são destinadas para o manejo de plantas daninhas.

A ausência de controle, ou mesmo o manejo inadequado das plantas daninhas, principalmente nos estádios iniciais da cultura (Período Crítico de Prevenção à Interferência PCPI) – do plantio até cerca de um ano de idade – acarreta prejuízos à produtividade, sendo recomendado que o manejo dessas plantas seja realizado nas fases de maior interferência, que pode variar com o material plantado, a região cultivada, a comunidade infestante, entre outros.

Danos e prejuízos

Os prejuízos devido à matocompetição se devem principalmente à execução dos métodos de controle após o PCPI. Entre os efeitos da competição das plantas daninhas com a cultura do eucalipto está a diminuição da produtividade, que pode ser observada pela redução de variáveis como o diâmetro do caule e a altura das plantas, além de dificultar a desrama, o desbaste e a colheita.

Deve-se ressaltar que a eliminação completa da presença das plantas daninhas é praticamente impossível. A decisão de executar as operações de manejo é dependente da quantidade de biomassa acumulada por unidade de área e não ao número de indivíduos, e os custos de produção envolvem planejamento de curto, médio e longo prazo.

Medidas curativas ou preventivas?

Cabe, portanto, ao produtor a adoção de medidas que minimizem a ocorrência delas. É o que chamamos de práticas preventivas, as quais podem impedir ou minimizar a introdução, o estabelecimento e a disseminação plantas daninhas, principalmente daquelas mais difíceis de serem controladas, como as de ciclo perene ou com biótipos resistentes a herbicidas.

Métodos de prevenção são relativamente simples, têm baixo custo e apresentam grande eficácia em minimizar o banco de sementes no solo e podem ser executados com a limpeza de máquinas e implementos, manejo de plantas daninhas em carreadores e entrelinhas e durante a entressafra.

Consequentemente, reduz a ocorrência das plantas daninhas e o custo de manejo a médio e longo prazos. No controle de plantas daninhas propriamente dito, devem ser considerados todos os requisitos do manejo integrado, que para a cultura do eucalipto, destaca-se principalmente o cultural, mecânico e químico.

O controle cultural visa dar vantagens competitivas para as plantas de eucalipto, como a escolha da melhor época de plantio, seleção de clones sadios e certificados, disponibilidade hídrica, uso de plantas de cobertura e de cobertura morta, manejo de pragas e doenças e adubação adequada.

Controle cultural

A adoção do controle cultural bem executado reduz a necessidade e dependência de outros métodos de controle. A roçagem e a capina manuais ou mecânicas são as técnicas mais aplicadas para realização do controle mecânico em espécies florestais, e vão desde a utilização de sistemas manuais em área total ou coroamento

A catação e a capina manual são práticas onerosas e de baixo rendimento em áreas extensas, embora frequentemente utilizadas em viveiros, ou como forma de corrigir eventuais falhas de outros métodos anteriormente realizados.

Implementos, como grade ou roçadeira, podem causar danos ao sistema radicular das plantas jovens e comumente são realizados nas entrelinhas do plantio.

O controle químico é realizado com herbicidas, porém, o número de produtos registrados para a cultura é pequeno, se comparado a outras culturas de importância econômica, como milho, soja e cana-de-açúcar, o que limita a adoção do controle químico, que ainda deve se encaixar aos padrões requeridos pelas certificadoras.

Risco fitossanitário

A Instrução Normativa 112 incluiu D. horizontalis, P. maximum, B. decumbens e B. brizantha como espécies daninhas de risco fitossanitário e econômico para a cultura do eucalipto, o que permitiu a ampliação do número de moléculas herbicidas registradas para a cultura, partindo de 45, em 2015 para 133, ao final de 2021.

Muitos destes não são seletivos, causando algum nível de fitotoxicidade quando aplicados em pós-emergência, no entanto, devido às espécies gramíneas de difícil controle citadas anteriormente, impõe a necessidade de se utilizar herbicidas de longo efeito residual com atividade em pré-emergência.

Atenção!

A escolha do herbicida e da dose deve considerar as características de cada herbicida, a textura do solo e o teor de matéria orgânica, condições climáticas no momento da aplicação e a época de aplicação (pré-plantio, pós-plantio, manutenção de entrelinha, aplicação conjunta com herbicida de amplo espectro, dentre outras).

Ao se definir o método de controle de plantas daninhas na cultura do eucalipto, é imprescindível saber em qual época elas representam o maior grau de competição com a cultura e qual o método mais adequado de controle a ser implementado, ressaltando que a integração dos métodos de controle é o mais adequado quando se busca eficiência de controle, redução dos custos de produção e sustentabilidade da cultura.

*Renata Pereira Marques – Engenheira agrônoma e professora – Instituto Federal Goiano (IFGoiano) – [email protected]

*Cristiane de Pieri – Bióloga, pós-doutora em Proteção de Plantas – UNESP – [email protected]

spot_img
spot_img
spot_img
spot_img
spot_img

Últimas Publicações

ACOMPANHE NAS REDES SOCIAIS