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Nutrição do rebanho de cria: a base sólida para a produção

Felipe Pelícia Luiz*

Como em toda atividade, a busca por incremento na lucratividade no sistema de cria é constante, e para que isso ocorra, é necessário que sejam respeitados alguns pilares. Por exemplo: uma vaca precisa “deixar” o bezerro em um intervalo de 12 a 13 meses na propriedade. A quantidade e o peso dos animais desmamados também influenciam diretamente na receita.

No entanto, para que isso ocorra, as matrizes precisam estar com bom estado corporal ao parto, uma vez que naturalmente já perdem peso após o parto devido ao estado de balanço energético negativo (BEN), que ocorre por conta da redução na ingestão de energia diária e pelo aumento da demanda energética para produção de leite. Portanto, a nutrição bem ajustada é fundamental para proporcionar bom estado corporal às matrizes ao parto, bem como para auxiliar na recuperação dos animais no pós-parto.

Além da nutrição, a programação do período de nascimento dos bezerros auxilia no desenvolvimento do sistema de cria. Sabe-se que bezerros nascidos na época seca do ano tendem a ter melhor peso ao desmame em relação aos animais nascidos em épocas chuvosas. Esse fato está relacionado com os seguintes fatores: menor exposição a parasitas externos e internos, não exposição a chuvas e umidade demasiada (o que causa gasto energético para manutenção da temperatura corporal) e concentração do manejo com neonatos na fazenda, que já estarão aptos ao consumo de pasto durante todo o período de águas.

Em relação ao peso dos bezerros no desmame, a nutrição adicional ao leite e ao pasto também influi de forma positiva no desempenho. Esse aporte nutricional consiste em fornecer aos bezerros suplementação proteica ou proteico-energética em cocho durante a fase de aleitamento.

Com o planejamento do manejo reprodutivo bem alinhado é possível trabalhar de forma específica os protocolos nutricionais adequados para cada fase do ciclo.

Influência da nutrição na reprodução

O tempo de recuperação pós-parto influencia diretamente no intervalo entre partos. É possível mensurar o estado nutricional com a avaliação da condição corporal dos animais através de uma escala de notas variando de 1 a 5, as quais são atribuídas por uma avaliação visual, onde a nota 1 é para uma vaca extremamente magra, com ossatura bastante exposta, e a nota 5, para um animal onde é possível notar deposição de gordura subcutânea, sem ossatura aparente. Em estudo realizado por Emerick et al., 2009, o deficiente estado nutricional no pós-parto, evidenciado por baixo escore de condição corporal (ECC), foi uma das mais importantes causas de atraso da primeira ovulação pós-parto.

O ECC alto de uma vaca também a torna menos eficiente na reprodução, trazendo dificuldades ao parto, como aumento das perdas neonatais, redução de peso ao desmame e aumento dos custos nutricionais.

A suplementação mineral é a base da nutrição e jamais deve ser marginal ou negligenciada, pois os minerais participam de praticamente todos os processos metabólicos e também na composição estrutural dos animais. Portanto, nenhuma suplementação em nível proteico e/ou energético surtirá efeito se o aporte mineral não estiver adequado.

Na reprodução, os minerais, classificados como macro e microminerais, exercem papel importante tanto para concepção quanto para manutenção da gestação. Ambos os grupos possuem igual importância, diferindo apenas na dose necessária para suprir a exigência animal. Todos são fundamentais na produção, visto que participam do metabolismo, manutenção e crescimento animal. A necessidade de determinado elemento em um tipo de célula ou tecido é variável de acordo com a fase fisiológica do animal, ou seja, a intensidade da suplementação mineral pode variar, porém, deve sempre existir.

A biodisponibilidade, ou seja, o potencial de absorção que determinado mineral apresenta, pode variar dependendo da fonte da qual é obtido, podendo chegar a ser nula ou marginal, não contribuindo para supressão da exigência animal. Portanto, ao avaliar um suplemento mineral, além de observar os níveis de garantia, é importante também se atentar para a matéria prima utilizada na fabricação.

Dentro dos sistemas de produção de gado de corte, talvez a cria seja o que mais envolve detalhes em relação a organização e planejamento. Quanto à nutrição, fica muito clara a necessidade de protocolos específicos para cada fase do processo, bem como para cada categoria envolvida nele. Sendo assim, não basta fornecer condições nutricionais adequadas apenas no período reprodutivo (estação de monta). Além da concepção, a manutenção da gestação e o retorno ao estro são fundamentais para o sucesso da atividade.

* Felipe Pelícia Luiz é zootecnista e consultor técnico da Premix.

Fonte: Daniel Smith | DS Vox

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