18.2 C
Jatai
InícioArtigosSaiba como identificar a Franciselose na produção de peixes

Saiba como identificar a Franciselose na produção de peixes

Por* Thiago Tetsuo Ushizima

A preocupação com a bactéria implica em mudança nas rotinas de monitoramento dos animais e implementação de estratégias preventivas, entre elas o uso de aditivos, no intuito de fortalecer os programas preventivos das fazendas.

A preocupação com a Franciselose, causada pela bactéria Francisella orientalis, implica em mudança nas rotinas de monitoramento dos animais e implementação de estratégias preventivas, entre elas o uso de aditivos, no intuito de fortalecer os programas preventivos das fazendas.

Apesar do inverno ser o período com temperaturas mais baixas, estações que antecedem o inverno e início da primavera requerem uma atenção especial por parte dos piscicultores, pois são períodos de intensos desafios para os peixes, principalmente na região Sul e Sudeste do país. Baixas temperaturas, grande amplitude térmica diária, escassez de chuva e piora na qualidade da água são algumas características que impactam negativamente a saúde e os índices produtivos da tilápia durante esse período.

Além de afetar o consumo de alimento e o ganho de peso, a queda na temperatura da água deprime o sistema imunológico dos animais. Isso, somado a outros fatores geradores de estresse como a má qualidade da água, manejos (biometria, classificação, vacinação, transferência), altas densidades, entre outros, tornam os animais ainda mais suscetíveis às enfermidades parasitárias, fúngicas, bacterianas e virais.

A Francisella orientalis é uma bactéria Gram negativa intracelular facultativa, e teve seu primeiro relato científico de ocorrência no Brasil em 2012. Portanto, trata-se de uma doença “nova” para muitos produtores, ainda que mortalidades causadas por Franciselose já tenham ocorrido em mais de 10 estados brasileiros, e nos principais polos de produção de tilápia do país.

Entre os fatores que favoreceram a disseminação da doença, merecem destaque a falta de protocolos de biosseguridade, a movimentações de alevinos e juvenis doentes entre os estados, pesando também o fato de ser uma doença que pode ser transmitida de maneira vertical, dos reprodutores para os alevinos.

Apesar da Franciselose ser uma enfermidade bacteriana mais frequente e severa no outono e inverno, período em que há uma diminuição da temperatura da água na região Centro Sul do Brasil, ela não é uma doença exclusiva das regiões frias. Já foram observados casos na região Nordeste, em anos com temperaturas mais baixas, assim como na saída do inverno (setembro e outubro), fato que reforça a importância de programas específicos de monitoramento e de estratégias preventivas para esta enfermidade, também nessa região.

Identificando a Franciselose

Surtos de Franciseloses são mais comuns em alevinos e juvenis (0,5 g a 200 g) e pode-se dizer que é uma “doença silenciosa”, com mortalidades sem sinais clínicos característicos, diferente por exemplo, da streptococose ou colunariose. Além disso, sintomatologias comuns a outras doenças são vistas com frequência na franciselose, como a redução no apetite e no consumo de ração, peixes escuros, peixes nadando na superfície, acúmulo de líquido na cavidade abdominal (ascite), pontos brancos nas brânquias e olhos saltados (exoftalmia).

Entretanto, após necrópsia dos animais, observa-se uma característica muito típica de franciselose que são os nódulos de coloração branco-amarelados (granulomas), principalmente nos órgãos do sistema imune como baço e rim (Figura 1). Com o avanço da doença, os nódulos vão se espalhando para outros órgãos como fígado, brânquias, podendo chegar até mesmo ao coração, em casos mais avançados, ao ponto de acarretar perda das funções desses órgãos.

Quadro agudo de franciselose em tilápia, indicando o avanço dos nódulos pelos órgãos

A – nódulos em baço

Fotos: Gustavo Alves

O monitoramento preventivo dos lotes é uma rotina pouco utilizada no dia a dia das pisciculturas. Esperar o aparecimento de peixes mortos para iniciar o diagnóstico e monitoramento, assim como para iniciar as terapias com antimicrobianos, é uma estratégia reativa, pois a perda de apetite dos animais aliado às baixas temperaturas dificultará ainda mais o consumo de ração medicada e consequentemente a efetividade do tratamento no controle da doença. Portanto, criar uma rotina frequente de monitoramento de alevinos e juvenis durante este período de alto desafio é a estratégia mais recomendada. Uma das formas utilizadas a campo para o monitoramento preventivo é a técnica denominada “squash”, que consiste na coleta e análise de um fragmento de órgão, principalmente o baço.

À medida que a doença avança, os granulomas vão aumentando de tamanho nas análises de “squash” e passam a ser visualizados a olho nu em outros órgãos, podendo ser vistos em grande quantidade no baço, rim, fígado e brânquias. A técnica de “squash” é uma alternativa a campo para realização do monitoramento preventivo, e recomenda-se também o envio de amostras para confirmação em exames laboratoriais.

Impacto na Produção

O impacto causado pela franciselose na produção de tilápia é significativo, e os prejuízos vão muito além da forma aguda, que afeta, principalmente, alevinos e juvenis no inverno, e causa altas mortalidades e custos adicionais com o uso de antibióticos (altas doses e tratamentos prolongados). Existem também os impactos causados pelos quadros crônicos observados em animais que foram acometidos por franciselose no inverno e não morreram. Além de gerarem perdas expressivas de desempenho zootécnico (crescimento, conversão alimentar, sobrevivência, heterogeneidade), esses animais ficam mais suscetíveis a estreptococose no verão, com taxas de mortalidades mais altas e apresentarão maiores índices de condenações de filés e carcaças no frigorífico, devido a formação de pontos negros (melanomacrófagos) (Figura 2).

Pontos negros (melanomacrófagos) em filés de tilápia, causados pela infecção por Francisella orientalis

Fonte: Thiago Tetsuo Ushizima, gerente de Aquacultura Latam Adisseo; Waldo G. Nuez-Ortín, cientista chefe Aquacultura Adisseo; Maria Mercè Isern-Subich, gerente global Produtos Saúde Aquacultura Adisseo e Ulisses de Pádua Pereira, coordenador do Laboratório de Bacteriologia em Peixes LABBEP/UEL.
spot_img
spot_img
spot_img
spot_img
spot_img
spot_img

Últimas Publicações

ACOMPANHE NAS REDES SOCIAIS