Como a inteligência artificial está mudando os processos no campo

Categoria Geral - 1 de setembro de 2019

Por Alexandre Alencar*

A Inteligência Artificial (IA) tem a capacidade de extrair conhecimento e identificar comportamentos até então desconhecidos por meio da análise de grandes volumes de dados. Empresas do setor agrícola e florestal têm bases de dados que acumulam uma infinidade de informações coletadas em diferentes processos: mapas e imagens aéreas, monitoramento de máquinas, análise de qualidade da matéria-prima colhida, histórico de operações e produtos aplicados em cada área de cultivo. O uso da IA nessas empresas tem as ajudado a diagnosticar problemas que exigem intervenção para sua solução.

Um exemplo é a detecção de doenças por meio de imagens que tornam possível processar imensas áreas de forma remota e indicar onde é preciso aplicar corretivos, ou outros produtos, para recuperar a produtividade. Analogamente, a análise do comportamento das máquinas permite identificar práticas mais econômicas e eficientes, apoiando as empresas na melhoria de suas atividades e da alocação de recursos. Em pesquisas de ponta, a IA também é usada no desenvolvimento de variedades de plantas mais produtivas, bem como na formulação de insumos e defensivos mais eficientes e de menor custo.

Na Hexagon, aplicamos a IA em todos os processos do campo – do planejamento de plantio ao transporte para a indústria. Por meio da tecnologia, é possível testar um número gigantesco de alternativas até chegar àquela de maior eficiência e menor custo para a empresa agrícola. Assim, por exemplo, é possível planejar a sequência de colheita das áreas para o horizonte de tempo completo de uma safra ou ciclo. Ou ainda, fazer com que a máquina seja o mais auto-suficiente possível, reduzindo a necessidade de intervenção por parte do operador, acarretando na diminuição de falhas e ganho geral de desempenho.

Por meio da IA, também conseguimos fazer a gestão remota das atividades em campo, executada em salas de controle que recebem continuamente os dados das máquinas no campo. Nesse ambiente,a tecnologia atua como um assistente para o gerente da empresa, tratando todos os dados recebidos, projetando resultados e diagnosticando situações que podem gerar prejuízo para o negócio. Ao identificar um problema, os modelos de previsão baseados em IA emitem alertas para os gestores tomarem decisões e corrigirem o problema o mais rápido possível. Quanto mais cedo se atua, menos se perde.

A IA vem ganhando espaço dia após dia. Acreditamos que num futuro próximo, a IA fará a condução completa e autônoma de veículos e máquinas no campo, executando atividades de colheita e cultivo 24 horas por dia, e de forma totalmente sincronizada. Faremos no campo o que as modernas fábricas robotizadas já executam na montagem e manufatura de produtos acabados. Quando atingirmos esse patamar, a agricultura terá evoluído para atuar essencialmente com atividades de pesquisa e gestão, deixando todo o trabalho pesado para uma mecanização automatizada e sem operadores humanos.

* Alexandre Alencar, diretor de Pesquisa & Desenvolvimento da divisão de Agricultura da Hexagon


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