Indústria e Mata Atlântica: duas datas, uma só comemoração

Na mesma semana em que se tecem homenagens à indústria nacional, no dia 25 de maio, também celebramos o Dia Nacional da Mata Atlântica (27). E o que essas duas datas têm em comum? O tabaco.

A Mata Atlântica e a indústria ligada ao agronegócio, em geral, correm em linhas opostas no imaginário das pessoas. E, de fato, a expansão de áreas produtivas causaram efeitos neste bioma tão relevante. Mas o setor do tabaco tem muito a comemorar nesta semana: com uma indústria pujante e um sistema que integra produtores às práticas ESG, preserva a Mata Atlântica e obtém resultados econômicos expressivos. 

“A indústria faz parte da engrenagem que move a economia do país e, no setor do tabaco, os números são bem significativos. A produção de tabaco demanda o uso de lenha para a cura do tabaco nas estufas. Mas desde 1978, muito antes de ouvirmos falar em ESG, o setor age proativamente, incentivando os produtores integrados a adotar o reflorestamento e preservar a mata nativa das propriedades”, avalia o presidente do Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco), Iro Schünke.

Atualmente, o setor é autossuficiente no cultivo de florestas energéticas para as estufas, principalmente com o uso do eucalipto. Segundo o último levantamento realizado pela Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), 25% da área das propriedades produtoras de tabaco é coberta por mata, sendo 15% com mata nativa e 10% com reflorestamento.

“Tratamos o assunto da conservação da Mata Atlântica de forma inovadora, por meio de um acordo inédito junto ao Ibama, em 2011, que previa o monitoramento por satélite de áreas produtoras de tabaco e a inclusão de cláusulas contratuais que garantissem somente o uso de lenha de origem legal e sustentável pelos produtores integrados”, relembra Schünke.

Em 2019, uma nova ação do setor foi criada para fortalecer a produção energética com espécies de rápido crescimento por meio da difusão de conhecimentos técnico-científicos. O projeto Ações pela Sustentabilidade Florestal na Cultura do Tabaco, mantido pelo SindiTabaco em parceria com a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), testa e compartilha novas tecnologias, materiais genéticos e espécies de maior produtividade e desempenho energético por meio de 21 unidades demonstrativas em propriedades de 17 municípios gaúchos.

Segundo o coordenador do projeto, Prof. Dr. Jorge Antônio de Farias, este é mais um passo dado na consolidação da sustentabilidade energética na cultura do tabaco. “A ideia é que os produtores possam transferir para sua propriedade o conhecimento adquirido nas unidades demonstrativas e colher os benefícios de uma produção sustentável. Além de obter segurança energética e financeira, os produtores também preservam os remanescentes de florestas naturais”, acrescenta.

“Assim como na indústria, em que os processos são testados e adaptados visando os melhores resultados, o produtor também precisa buscar o conhecimento que poderá auxiliá-lo a preservar sua propriedade e garantir o melhor rendimento”, frisa Schünke.

Fonte: MSL Andreoli